TRATAMENTO · DOENÇAS INFLAMATÓRIAS INTESTINAIS
Medicações para Crohn e Retocolite: o guia completo de tratamento
Todas as classes de medicação para a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa — dos aminossalicilatos aos biológicos, anti-IL-23 e pequenas moléculas orais — com mecanismo, indicação, segurança e como a escolha é feita. Conteúdo revisado pela equipe do NuDii, em São Paulo.
O tratamento medicamentoso da Doença de Crohn e da Retocolite Ulcerativa é organizado em classes, escolhidas conforme o tipo, a gravidade e a resposta da doença. As principais classes são:
- Aminossalicilatos (5-ASA) — mesalazina e sulfassalazina; casos leves, sobretudo na retocolite.
- Corticoides — prednisona e budesonida; controlam crises, por tempo limitado.
- Imunossupressores — azatioprina, 6-mercaptopurina e metotrexato; manutenção da remissão.
- Biológicos — anti-TNF (infliximabe, adalimumabe, certolizumabe, golimumabe), anti-integrina (vedolizumabe) e anti-interleucina (ustequinumabe; anti-IL-23: risanquizumabe, guselcumabe, mirikizumabe).
- Pequenas moléculas orais — inibidores de JAK (tofacitinibe, upadacitinibe) e moduladores de S1P (ozanimode, etrasimode).
Nenhuma medicação cura a doença: o objetivo é induzir e manter a remissão com cicatrização da mucosa. A escolha é sempre individualizada pelo médico especialista em DII.
Objetivos do tratamento das DII
As Doenças Inflamatórias Intestinais (DII) — Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa — são crônicas. O tratamento não cura, mas devolve qualidade de vida e previne complicações. A meta moderna vai além de aliviar sintomas: busca a cicatrização da mucosa (remissão endoscópica) e, idealmente, a remissão profunda, comprovada por exames.
O manejo combina mudanças no estilo de vida, exames de acompanhamento e medicações, e — em casos selecionados — cirurgia. A escolha do remédio depende do tipo de doença (Crohn ou retocolite), da gravidade, da resposta à terapia inicial e da presença de manifestações extraintestinais (pele, olhos, articulações).
💡 Treat-to-target (tratar por alvo): a conduta atual define metas objetivas (sintomas, calprotectina fecal, endoscopia) e ajusta a medicação até atingi-las — em vez de tratar só pela sensação do paciente. Isso prevê dano intestinal irreversível e reduz cirurgias.
Aminossalicilatos (5-ASA)
São a classe mais antiga de anti-inflamatórios intestinais. Agem diretamente na mucosa, por via oral ou tópica (enema, supositório). São especialmente eficazes na Retocolite Ulcerativa leve a moderada — tanto na crise quanto na manutenção da remissão. Na Doença de Crohn, o uso é mais limitado, reservado a formas leves do cólon.
Corticoides (glicocorticoides)
Os corticoides controlam rapidamente a inflamação aguda durante as crises de Crohn e de Retocolite. Por isso são medicações de uso limitado no tempo: induzem a remissão, mas não servem para manutenção, devido aos efeitos colaterais do uso prolongado.
⚠️ Por que não usar por muito tempo: o uso prolongado de corticoide associa-se a ganho de peso, hipertensão, aumento da glicemia, alterações de humor, osteoporose e catarata. O objetivo é sempre o menor tempo possível, com substituição por uma medicação de manutenção mais segura.
Imunossupressores
Modulam o sistema imunológico de forma mais seletiva que os corticoides e servem principalmente para manter a remissão a longo prazo. Podem ser usados isolados em casos selecionados ou associados a um biológico (para potencializar a resposta e reduzir a formação de anticorpos).
Biológicos (imunobiológicos)
São anticorpos produzidos em laboratório contra alvos específicos da inflamação. Revolucionaram o tratamento das DII, permitindo controlar doenças moderadas a graves e casos refratários às terapias clássicas. Por serem proteínas grandes, são aplicados por via injetável (subcutânea ou endovenosa). Dividem-se por mecanismo:
Anti-TNF (bloqueiam o TNF-alfa)
Anti-integrina (seletivo do intestino)
Anti-interleucina
💡 A classe anti-IL-23 (p19) — risanquizumabe, guselcumabe e mirikizumabe — é uma das adições mais recentes ao arsenal das DII, com altas taxas de remissão e cicatrização endoscópica e bom perfil de segurança, inclusive em pacientes que não responderam a anti-TNF. A disponibilidade por condição e por convênio é definida caso a caso pelo médico.
Pequenas moléculas orais
Classe mais recente, de uso oral — uma alternativa importante para quem não tolera ou não responde aos biológicos. Atuam bloqueando vias de sinalização inflamatória dentro das células.
Inibidores de JAK (Janus quinase)
Moduladores de S1P (esfingosina-1-fosfato)
⚠️ Atenção em gravidez: os inibidores de JAK (tofacitinibe, upadacitinibe) e os moduladores de S1P (ozanimode, etrasimode), assim como o metotrexato, são contraindicados na gestação e amamentação e devem ser suspensos com antecedência ao planejar a gravidez. Veja a seção de gravidez abaixo.
Tabela-mestra das classes de medicação
Um resumo das classes, seus exemplos, mecanismo, via de administração e uso típico. A indicação final é sempre individualizada pelo médico.
| Classe | Exemplos | Alvo / mecanismo | Via | Uso típico |
|---|---|---|---|---|
| Aminossalicilatos (5-ASA) | Mesalazina, sulfassalazina | Anti-inflamatório na mucosa | Oral / tópica | Retocolite leve a moderada |
| Corticoides | Prednisona, budesonida | Anti-inflamatório amplo | Oral / EV | Indução em crises (uso curto) |
| Imunossupressores | Azatioprina, 6-MP, metotrexato | Modulação imune | Oral / SC | Manutenção da remissão |
| Anti-TNF | Infliximabe, adalimumabe, certolizumabe, golimumabe | Bloqueio do TNF-alfa | EV / SC | Crohn e retocolite moderados a graves |
| Anti-integrina | Vedolizumabe | Bloqueio da migração celular (seletivo do intestino) | EV | Crohn e retocolite |
| Anti-IL-12/23 | Ustequinumabe | Bloqueio de IL-12 e IL-23 | EV → SC | Crohn e retocolite |
| Anti-IL-23 (p19) | Risanquizumabe, guselcumabe, mirikizumabe | Bloqueio seletivo da IL-23 | EV → SC | Moderado a grave, inclusive pós-falha de anti-TNF |
| Inibidores de JAK | Tofacitinibe, upadacitinibe | Bloqueio da via JAK (intracelular) | Oral | Retocolite (e Crohn, conforme indicação) |
| Moduladores de S1P | Ozanimode, etrasimode | Retenção de linfócitos nos linfonodos | Oral | Retocolite moderada a grave |
EV = endovenosa · SC = subcutânea · 6-MP = 6-mercaptopurina · 5-ASA = ácido 5-aminossalicílico.
Como o tratamento é escolhido
Existem duas grandes estratégias para sequenciar as medicações, e a decisão é individualizada:
| Estratégia | Como funciona | Quando se aplica |
|---|---|---|
| Step-up (escalada) | Começa com medicações mais simples (5-ASA, corticoide), avança para imunossupressor e só então para biológico, conforme a falha terapêutica. | Doença leve, sem fatores de mau prognóstico. |
| Top-down (descendente) | Introduz terapia biológica mais cedo no curso da doença. | Pacientes com fatores de mau prognóstico, para prevenir dano e cirurgias. |
Tratar por alvo com a calprotectina fecal
A calprotectina fecal é um marcador não invasivo de inflamação que ajuda a guiar decisões — um exemplo de algoritmo prático usado em diretrizes recentes:
Segurança, exames e vacinas
O monitoramento é parte essencial do tratamento. A frequência e o tipo de exame variam com a medicação:
Vacinas
Imunossupressores e biológicos afetam a resposta vacinal e contraindicam alguns imunizantes:
Medicações na gravidez e amamentação
Em geral, manter a doença controlada durante a gestação é mais seguro para a mãe e o bebê do que suspender o tratamento e arriscar uma crise grave. A conduta é sempre individualizada, em conjunto com o obstetra.
Acesso e medicações de alto custo
Biológicos e pequenas moléculas têm custo elevado, mas há caminhos para o acesso no Brasil:
Especialistas em tratamento de DII do NuDii
O NuDii reúne gastroenterologistas e proctologistas com experiência específica no tratamento de Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa em São Paulo. A equipe multidisciplinar conduz a escolha terapêutica de forma individualizada e baseada em evidências, com atendimento no Instituto Medicina em Foco.
Dr. Rodrigo Barbosa
Gastrocirurgia, Cirurgia Bariátrica e ColoproctologiaCRM-SP 167670 · RQE 78610
Dra. Sabrina Figueiredo
Gastroenterologia — DIICRM-SP 203753 · RQE 99224
Dra. Laís Naziozeno
Gastroenterologia — SII e DIICRM-SP 204969 · RQE 115836
Dr. Alexandre Ferrari
Coloproctologia — especialista em DIICRM-SP 179945 · RQE 92807
Dr. Alexander Rolim
Coloproctologia — DII e pesquisa clínicaCRM-SP 83270 · RQE 55787 / 115989 / 115988
Dr. Carlos Obregon
Cirurgia do Aparelho Digestivo e ColoproctologiaCRM-SP 177864 · RQE 107012 / 107013
O tratamento das DII explicado pela equipe NuDii
Assista no canal Medicina em Foco a uma explicação direta sobre as medicações para Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa.
Medicações para Crohn e Retocolite
As classes de tratamento, como funcionam e quando são indicadas.
Perguntas frequentes sobre medicações para DII
Quais são as principais classes de medicação para Crohn e retocolite?
São os aminossalicilatos (mesalazina, sulfassalazina), os corticoides (prednisona, budesonida), os imunossupressores (azatioprina, 6-mercaptopurina, metotrexato), os biológicos — anti-TNF (infliximabe, adalimumabe, certolizumabe, golimumabe), anti-integrina (vedolizumabe) e anti-interleucina (ustequinumabe e os anti-IL-23 risanquizumabe, guselcumabe e mirikizumabe) — e as pequenas moléculas orais (inibidores de JAK, como tofacitinibe e upadacitinibe, e moduladores de S1P, como ozanimode e etrasimode).
O que são os anti-IL-23 (risanquizumabe, guselcumabe, mirikizumabe)?
São biológicos que bloqueiam seletivamente a interleucina 23 (subunidade p19), uma proteína central na inflamação das DII. É uma das classes mais recentes e tem mostrado altas taxas de remissão e cicatrização da mucosa, com bom perfil de segurança — inclusive em pacientes que não responderam a anti-TNF. No Brasil, o risanquizumabe está aprovado para a Doença de Crohn; a disponibilidade de cada agente por condição e convênio é definida pelo médico.
O que são os moduladores de S1P (ozanimode, etrasimode)?
São medicações orais que retêm os linfócitos nos linfonodos, reduzindo a chegada de células inflamatórias ao intestino. São opções para a Retocolite Ulcerativa moderada a grave. Como os inibidores de JAK e o metotrexato, são contraindicados na gestação e na amamentação e exigem avaliação cardíaca e oftalmológica conforme protocolo.
Como funciona o princípio da escalada terapêutica (step-up e top-down)?
No modelo step-up, parte-se de medicações mais simples (aminossalicilatos e corticoides), avança-se para imunossupressores de manutenção e só após falha se introduz o biológico. Já no top-down, pacientes com fatores de mau prognóstico recebem biológico mais cedo, para prevenir dano intestinal irreversível e reduzir cirurgias. A decisão é individualizada conforme gravidade, fatores de risco, idade e preferências do paciente.
O que são medicações biológicas e como são administradas?
São proteínas produzidas por biotecnologia que miram alvos específicos do sistema imunológico. Por serem moléculas grandes, são injetáveis: o infliximabe é endovenoso em centro de infusão; o adalimumabe é subcutâneo e autoaplicável; o vedolizumabe atua de forma seletiva no intestino; o ustequinumabe começa endovenoso e segue subcutâneo. A escolha depende do perfil do paciente e da doença.
É necessário fazer exames durante o tratamento?
Sim. Em uso de azatioprina ou 6-mercaptopurina, faz-se hemograma e função hepática a cada 3 meses no primeiro ano e a cada 6 meses depois. Para biológicos, há rastreio de tuberculose (PPD e radiografia de tórax) e de hepatites antes de iniciar, além de exames periódicos e, quando indicado, dosagem do nível do fármaco no sangue para ajustar a dose.
Quais são os efeitos colaterais mais comuns?
Variam por classe. Corticoides (uso prolongado): ganho de peso, hipertensão, hiperglicemia, alterações de humor, osteoporose e catarata. Mesalazina: em geral bem tolerada, raramente cefaleia, náusea ou alteração renal. Azatioprina: náusea inicial, supressão da medula e elevação de enzimas hepáticas. Biológicos: maior risco de infecções (com rastreio de tuberculose obrigatório) e reações no local da injeção ou na infusão.
As medicações podem ser usadas na gravidez?
Manter a doença controlada costuma ser mais seguro do que suspender o tratamento. A mesalazina é considerada segura; vedolizumabe e ustequinumabe têm baixo risco; anti-TNF são relativamente seguros no 1º e 2º trimestres. Já metotrexato, inibidores de JAK e moduladores de S1P são contraindicados e devem ser suspensos antes de engravidar. Toda decisão é individualizada com o gastroenterologista e o obstetra.
As medicações para DII afetam a vacinação?
Sim. Vacinas de vírus vivos (tríplice viral, varicela, febre amarela, poliomielite oral) são contraindicadas durante imunossupressão. Vacinas inativadas (influenza, pneumocócica, hepatite B, hepatite A, HPV, meningocócica) são seguras e recomendadas — idealmente atualizadas antes de iniciar o tratamento imunossupressor ou biológico.
Quanto tempo dura o tratamento?
Como as DII são crônicas, o tratamento costuma ser de longo prazo ou indefinido. O objetivo não é curar, mas manter a remissão com cicatrização da mucosa. Após anos de remissão sustentada e comprovada, o médico pode avaliar reduzir medicações — decisão compartilhada, baseada em critérios clínicos, endoscópicos e laboratoriais, pelo risco de recidiva.
Como conseguir medicações de alto custo no Brasil?
Pelo SUS, via Componente Especializado da Assistência Farmacêutica, mediante critérios clínicos e renovação periódica; pelos planos de saúde, que devem cobrir o que está no rol da ANS (negativa indevida pode ser contestada); e por programas de apoio dos fabricantes, que oferecem suporte financeiro e educacional. Pergunte ao médico ou farmacêutico sobre as opções para a sua medicação.
Existe cura? As medicações curam a doença?
Não há cura conhecida para a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa, que são crônicas. As medicações controlam a inflamação, induzem e mantêm a remissão e previnem complicações, permitindo qualidade de vida. O acompanhamento contínuo com especialista em DII é o que sustenta os melhores resultados a longo prazo.
Tratamento de DII no NuDii
Escolher e conduzir a medicação de Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa exige experiência com toda a gama de classes — dos aminossalicilatos às terapias avançadas. O NuDii é o Núcleo de Doenças Inflamatórias Intestinais que reúne especialistas em gastroenterologia e proctologia, com atendimento no Instituto Medicina em Foco, em São Paulo, infraestrutura para colonoscopia, endoscopia e ultrassonografia intestinal e equipe multidisciplinar — nutricionista, psicólogo e fisioterapeuta — para um cuidado integral e humanizado.
Dê o próximo passo no controle da sua saúde
Agende uma avaliação com a equipe do NuDii e receba um plano de tratamento individualizado para a Doença de Crohn ou a Retocolite Ulcerativa.
Aviso: as informações desta página têm caráter informativo e educacional e não substituem a consulta médica. A escolha e o ajuste de qualquer medicação devem ser sempre feitos por um médico. Procure sempre orientação profissional para diagnóstico e tratamento adequados.

