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O uso de Golimumabe na Retocolite Ulcerativa

Seu guia completo sobre este importante medicamento

Vamos aprender e esclarecer dúvidas sobre o que é Golimumabe, quais suas indicações, reações adversas, como é realizada sua administração. No final, abordaremos as dúvidas mais frequentes associadas ao tema.

Para uma avaliação completa do seu quadro clínico e das medicações que você usa, agende uma consulta com um de nossos especialistas.

O que é Golimumabe?

O Golimumabe é um anticorpo monoclonal totalmente humano que atua como inibidor do fator de necrose tumoral alfa (TNF-alfa), elemento importante no processo inflamatório associado a várias doenças autoimunes.

As pesquisas de desenvolvimento do Golimumabe começaram no início dos anos 2000. Como é um anticorpo totalmente humano, a ideia teórica seria reduzir o risco de reações imunológicas em comparação àqueles imunobiológicos que tinham componente de camundongos.

Em 2009, foi aprovado pelo FDA (Food and Drug Administration - Agência de Saúde dos EUA) para o tratamento da artrite reumatoide, artrite psoriásica e espondilite anquilosante, todas condições tratadas pela Reumatologia.

Seu uso na Gastroenterologia ocorreu 4 anos depois para pacientes com Retocolite Ulcerativa moderada a grave. E sua aprovação para uso no Brasil ainda demorou cerca de 2 anos, acontecendo em 2015.

Como funciona?

O Golimumabe atua reduzindo a ação do fator de necrose tumoral alfa (TNF-alfa), uma proteína inflamatória que está aumentada na Retocolite Ulcerativa e que contribui para a inflamação crônica e os danos ao intestino.

Ao bloquear a ação do TNF-alfa, a medicação ajuda a reduzir a inflamação, aliviando os sintomas da Retocolite Ulcerativa, como diarreia, dor abdominal e sangramento retal.

Tratamentos com Golimumabe

Doenças tratadas

  • Artrite reumatoide.
  • Artrite psoriásica.
  • Espondilite anquilosante.
  • Espondiloartrite axial não radiográfica.
  • Retocolite Ulcerativa.

Possíveis doenças induzidas

  • Lúpus induzido por drogas – síndrome lúpus like.
  • Psoríase.
  • Exacerbação de Insuficiência Cardíaca.
  • Doenças desmielinizantes.
  • Hepatite autoimune.
  • Reativação de tuberculose latente.

Para quem é indicado?

Pacientes com Retocolite Ulcerativa moderada a grave que não responderam adequadamente a terapias convencionais, como aminosalicilatos orais, corticoides ou imunossupressores (Azatioprina ou 6-mercaptopurina).

Cuidados antes de iniciar o tratamento

Antes de iniciar o tratamento com Golimumabe, é essencial realizar:

  • Avaliação médica completa (história dos sintomas, doenças preexistentes, cirurgias; e exame físico).
  • Exames de sangue, incluindo hemograma, Proteína C Reativa (PCR-prova inflamatória), avaliação da função renal, avaliação das vitaminas (ferro, B12, ácido fólico, vitamina D) e avaliação hepática.
  • Exames de fezes.
  • Testes para investigação de tuberculose devido ao risco de ativação dessa doença durante o tratamento: RX de tórax e Prova Tuberculínica (PPD) ou IGRA (Interferon-Gamma Release Assays);
  • Testes para infecções virais: HIV, hepatite B, hepatite C;

Atualização do cartão de vacinas

  • Preferencialmente antes do início da imunossupressão.
  • Vacinas indicadas para o imunossuprimido: Influenza, Covid, pneumocócica, hepatites A e B, meningo B (privado), meningo C, HPV, Herpes zoster inativada (Shingrix) (privado), dT/dTpa.
  • As vacinas de vírus atenuado estão contraindicadas durante a imunossupressão: Dengue, febre amarela, Herpes zoster atenuada (Zostavax), Varicela, tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba), BCG, poliomielite oral.

Administração do medicamento

Subcutânea

  • Dose: primeira dose de 200mg / demais doses de 50 ou 100mg.
  • Tempo de aplicação: a injeção subcutânea é administrada rapidamente, em poucos segundos; é necessário aguardar 30 min para deixar a seringa em temperatura ambiente antes do uso.

Periodicidade

  • Primeira dose: 200mg, subcutânea.
  • Segunda dose: 100mg, subcutânea, 2 semanas após a primeira dose.
  • Doses posteriores: após as duas doses iniciais, o Golimumabe é mantido com a dose de 50mg ou 100mg a cada 4 semanas.
  • Possíveis reações adversas da injeção: reações no local da aplicação (erupção cutânea leve, inchaço, hematoma (sangue sob a pele), coceira, formigamento, dor e irritação); fadiga; febre baixa; dor de cabeça; reações alérgicas como coceira, erupção cutânea (vermelhidão na pele), dificuldade para respirar, dor no peito e alterações na pressão sanguínea (alta ou baixa).

Opinião quanto a via de administração: a realização da medicação subcutânea traz comodidade, pois permite a autoadministração em casa, sem a necessidade de deslocamento até um centro de infusão, e, além disso, a aplicação é mais rápida e não há preocupações quanto a necessidade de um acesso venoso, o que seria uma vantagem para pacientes com veias difíceis (ex idosos). Por outro lado, é necessário treinamento do paciente para a

autoadministração, pode ocorrer dor no local da aplicação e as reações alérgicas não podem ser prontamente identificadas e tratadas, já que o paciente não está com um profissional de saúde no momento da aplicação. Além disso, outra possível desvantagem da realização subcutânea é que não é possível garantir o armazenamento adequado da medicação quando este é realizado no domicílio do paciente, o que pode comprometer a eficácia e segurança do tratamento.

Eficácia e segurança

Resultados esperados

Em ensaios clínicos, o Golimumabe foi eficaz em melhorar a inflamação de pacientes com Retocolite Ulcerativa moderada a grave. A medicação não é aprovada para o tratamento da Doença de Crohn e os riscos associados ao seu uso são semelhantes aos de outros Anti TNFs.

Seu diferencial em relação aos outros Anti TNFs é sua administração subcutânea simples e menos frequentes que outros subcutâneos como o Adalimumabe.

Resultados esperados

  • Infecções respiratórias (como bronquite, sinusite, resfriado), reações no local da injeção, febre, dor de cabeça, fadiga, alterações hepáticas.
  • Tuberculose e infecções sistêmicas bacterianas, fúngicas e virais. Sintomas semelhantes ao lúpus, doenças neurológicas desmielinizantes e piora da insuficiência cardíaca congestiva. Risco aumentado de neoplasias.

Onde aplicar?

Importância do TDM (Monitoramento Terapêutico de Medicamentos)

O que é TDM?

TDM significa Monitoramento Terapêutico de Drogas (do inglês, Therapeutic Drug Monitoring), que consiste em medir os níveis de um determinado medicamento no sangue.

Em relação ao Golimumabe, o TDM não é utilizado até o momento. Mais informações sobre TDM estão disponíveis na página sobre Infliximabe.

O que sabemos sobre os biossimilares de Golimumabe?

Até o momento, não há um biossimilar aprovado para Golimumabe.

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Aviso:

As informações fornecidas neste texto são apenas para fins informativos e educacionais e não substituem a consulta médica. Sempre procure orientação médica para diagnóstico e tratamento adequados.

Referências

  1. Brazilian Organization for Crohn’s Disease and Colitis. Second Brazilian consensus on the management of ulcerative colitis in adults: a consensus of the Brazilian Organization for Crohn’s Disease and Colitis (GEDIIB). Arq Gastroenterol. 2022.
  2. Flamant M, Paul S, Roblin X. Golimumab for the treatment of ulcerative colitis. Expert Opin Biol Ther. 2017 Jul;17(7):879-886.
  3. Sandborn WJ, Feagan BG, Marano C, Zhang H, Strauss R, Johanns J, et al. Subcutaneous golimumab maintains clinical response in patients with moderate-to-severe ulcerative colitis. Gastroenterology. 2014 Jan;146(1):96-109.e1. doi: 10.1053/j.gastro.2013.07.108.
  4. Simponi [bula]. São Paulo: Janssen-Cilag Farmacêutica Ltda; 2024 [citado 2024 Ago 27]. Disponível em: https://www.janssen.com/brasil/sites/www_janssen_com_brazil/files/prod_files/live/simponi_caneta_aplicadora_pub_vp.pdf
  5. Strik AS, Berends SE, Mathôt RA, D'Haens GR, Löwenberg M. Golimumab for moderate to severe ulcerative colitis. Expert Rev Gastroenterol Hepatol. 2017 May;11(5):401-406.
O que é o Golimumabe e como ele funciona?

É um medicamento biológico que bloqueia uma proteína específica do sistema imunológico, reduzindo a inflamação no intestino.

Quais são os efeitos colaterais do Golimumabe?

Os efeitos colaterais mais comuns incluem infecções, reações no local da injeção, dor de cabeça, náuseas e fadiga. Em casos raros, podem ocorrer reações alérgicas graves.

Como o Golimumabe é administrado?

É administrado por via subcutânea (injeção abaixo da pele) a cada 4 semanas.

Quanto tempo leva para o Golimumabe fazer efeito?

O início do efeito pode variar de paciente para paciente, mas geralmente leva algumas semanas para notar melhora dos sintomas.

Quais são as precauções antes de iniciar o tratamento com Golimumabe?

É importante informar o médico sobre todas as doenças preexistentes, alergias e medicamentos em uso. Além disso, alguns exames são necessários: testes para tuberculose latente, avaliação de infecções, e exames de sangue.

FAQ
Dúvidas frequentes
FAQ
Dúvidas frequentes
O Golimumabe cura a Retocolite Ulcerativa?

Não, o Golimumabe não cura a Retocolite Ulcerativa, mas ajuda a controlar os sintomas e a manter a doença em remissão.

O Golimumabe pode ser utilizado durante a gravidez ou amamentação?

O uso do Golimumabe durante a gravidez e a amamentação deve ser discutido com o médico, pois os riscos e benefícios devem ser avaliados em cada caso.

Posso continuar usando Golimumabe durante uma infecção?

Se você desenvolver uma infecção, especialmente uma infecção grave, deve informar seu médico, pois o tratamento pode precisar ser interrompido temporariamente.

O Golimumabe pode ser usado em conjunto com outros medicamentos para Retocolite Ulcerativa?

Sim, mas deve ser feito sob supervisão médica. O Golimumabe pode ser usado em combinação com outros medicamentos para melhorar o controle da doença.

Como devo armazenar o Golimumabe?

O Golimumabe deve ser armazenado na geladeira, mas não congelado. Antes da administração, deve ser deixado à temperatura ambiente por cerca de 30 minutos.

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Perguntas Frequentes sobre Golimumabe

O que é o golimumabe e como funciona?

O golimumabe (Simponi®) é um medicamento biológico da classe dos inibidores do TNF-alfa (fator de necrose tumoral alfa), aprovado para o tratamento da retocolite ulcerativa moderada a grave em adultos.

O golimumabe bloqueia especificamente o TNF-alfa, uma proteína central na cascata inflamatória que causa os danos intestinais nas doenças inflamatórias intestinais. Ao neutralizar o TNF-alfa, o golimumabe reduz a inflamação e promove a cicatrização da mucosa intestinal.

Como o golimumabe é administrado?

O golimumabe é administrado por injeção subcutânea — sob a pele — com o uso de uma seringa preenchida ou caneta autoaplicadora.

O esquema de indução envolve 200 mg na semana 0 e 100 mg na semana 2. Na manutenção, o golimumabe é administrado na dose de 100 mg a cada 4 semanas. A autoadministração em domicílio é possível após treinamento adequado pelo médico ou enfermeiro.

O golimumabe é eficaz na retocolite ulcerativa?

Sim. O golimumabe demonstrou eficácia na indução e manutenção da remissão em pacientes com retocolite ulcerativa moderada a grave nos estudos clínicos PURSUIT-SC.

Em pacientes que nunca usaram biológicos e que não responderam adequadamente às terapias convencionais (como aminossalicilatos, imunossupressores), o golimumabe demonstrou taxas de remissão clínica e cicatrização mucosa significativamente superiores ao placebo.

Quais exames são necessários antes de iniciar o golimumabe?

Antes de iniciar o golimumabe, o médico realiza uma série de exames de triagem para garantir a segurança do tratamento.

Os exames incluem: rastreamento de tuberculose latente (teste tuberculínico ou IGRA), sorologias para hepatites B e C e HIV, hemograma completo, provas de função hepática e renal. Pacientes com insuficiência cardíaca congestiva grave ou desmielinização ativa não devem usar golimumabe.

Qual o perfil de segurança do golimumabe?

O golimumabe, como outros inibidores de TNF-alfa, pode aumentar o risco de infecções, especialmente infecções bacterianas graves e reativação de tuberculose latente.

Reações no local de injeção são os efeitos adversos mais frequentes, geralmente leves e transitórias. Outros efeitos raros incluem reações alérgicas, alterações hematológicas, eventos desmielinizantes e lúpus induzido por fármaco. O monitoramento regular durante o tratamento com golimumabe é essencial.

Golimumabe na Retocolite Ulcerativa

A retocolite ulcerativa é uma doença inflamatória crônica que afeta o reto e o cólon. O golimumabe é uma opção terapêutica importante para pacientes com doença moderada a grave que não responderam ou perderam resposta às terapias convencionais.

Quando indicar o golimumabe na RCU?

O golimumabe é indicado para pacientes com retocolite ulcerativa moderada a grave que não responderam adequadamente ao tratamento com aminossalicilatos, imunossupressores ou corticosteroides.

A decisão de iniciar o golimumabe deve ser tomada pelo gastroenterologista após avaliação completa do histórico do paciente, gravidade da doença e resposta a tratamentos anteriores. Em casos de doença grave refratária, o golimumabe pode ser iniciado como primeira linha de tratamento biológico.

Golimumabe versus outros biológicos na RCU

Na retocolite ulcerativa, além do golimumabe, estão disponíveis outros biológicos como infliximabe, vedolizumabe e ustequinumabe, além dos inibidores de JAK orais.

A escolha entre os diferentes biológicos disponíveis para retocolite ulcerativa é baseada em múltiplos fatores: perfil de eficácia e segurança, experiência prévia com biológicos, comorbidades, via de administração preferida e disponibilidade/cobertura pelo plano de saúde. O gastroenterologista especializado em DII orientará a melhor escolha para cada paciente.

Cuidados e qualidade de vida durante o tratamento

Durante o tratamento com golimumabe, é importante manter acompanhamento médico regular, realizar os exames de monitoramento prescritos e comunicar imediatamente qualquer sinal de infecção ou efeito adverso.

Com o tratamento adequado, muitos pacientes com retocolite ulcerativa conseguem alcançar remissão clínica e endoscópica, com significativa melhora da qualidade de vida. O objetivo do tratamento moderno com golimumabe e outros biológicos é não apenas controlar os sintomas, mas promover a cicatrização completa da mucosa intestinal e prevenir complicações a longo prazo.

Tratamento da Retocolite Ulcerativa

A retocolite ulcerativa é uma doença inflamatória crônica que afeta o reto e o cólon, causando inflamação contínua da mucosa intestinal. O tratamento visa controlar a inflamação, induzir e manter a remissão, e prevenir complicações a longo prazo.

Estratégia terapêutica por escada

O tratamento da retocolite ulcerativa segue uma estratégia escalonada, iniciando pelos medicamentos com menor potencial de efeitos adversos e avançando para terapias mais potentes conforme a necessidade.

A primeira linha de tratamento inclui os aminossalicilatos (mesalazina, sulfassalazina), disponíveis em formulações orais e tópicas (supositórios, enemas). Para casos moderados a graves, os corticosteroides são utilizados para indução de remissão. A manutenção da remissão pode ser feita com imunossupressores e, em casos refratários ou graves, com medicamentos biológicos.

Metas do tratamento moderno

O objetivo do tratamento moderno da retocolite ulcerativa evoluiu além do controle sintomático para a cicatrização mucosa — resolução completa da inflamação da mucosa intestinal comprovada por colonoscopia.

Estudos demonstram que pacientes que alcançam cicatrização mucosa têm menor risco de recidiva, menor necessidade de corticosteroides a longo prazo e menor risco de complicações como displasia e câncer colorretal. O monitoramento regular com colonoscopia e marcadores inflamatórios é fundamental para avaliar se as metas terapêuticas estão sendo alcançadas.

Aminossalicilatos na retocolite ulcerativa

Os aminossalicilatos são os medicamentos de primeira linha para retocolite ulcerativa leve a moderada, tanto para indução quanto para manutenção da remissão.

A mesalazina (5-ASA) é o aminossalicilato mais utilizado, disponível em diferentes formulações que permitem liberação no local de maior atividade da doença. O paciente deve usar a formulação prescrita pelo médico — oral, supositório ou enema — conforme a extensão e localização da doença. A adesão ao tratamento de manutenção com aminossalicilatos é fundamental para prevenir recidivas.

Cirurgia na retocolite ulcerativa

Em casos de doença grave refratária ao tratamento clínico, megacólon tóxico ou neoplasia, a cirurgia pode ser necessária.

O procedimento cirúrgico padrão na retocolite ulcerativa é a proctocolectomia total com ileostomia definitiva ou com bolsa ileal (anastomose ileoanal com reservatório em J). A cirurgia é considerada curativa para a retocolite ulcerativa, pois remove todo o cólon e reto afetados. A decisão cirúrgica é tomada em conjunto pela equipe de gastroenterologia e cirurgia coloproctológica especializada.

Rastreamento de displasia e câncer colorretal

Pacientes com retocolite ulcerativa de longa data têm risco aumentado de desenvolver displasia e câncer colorretal, especialmente aqueles com doença extensa (pancolite) e de longa duração.

O rastreamento com colonoscopia e biópsias sistemáticas do cólon deve ser iniciado após 8 a 10 anos do diagnóstico, com frequência determinada pelo gastroenterologista conforme o risco individual. O controle adequado da inflamação reduz o risco de displasia, reforçando a importância do tratamento eficaz a longo prazo.