MEDICAÇÃO · ANTI-TNF · CROHN E RETOCOLITE
Infliximabe (Remicade): o anti-TNF para Crohn e Retocolite
O infliximabe, cujo medicamento originador é o Remicade®, é um biológico anti-TNF de rápido início de ação, referência no tratamento da Doença de Crohn e da Retocolite Ulcerativa. Entenda como funciona, sua administração (intravenosa e subcutânea), o monitoramento por TDM e a lista completa de biossimilares com a evidência científica — com a equipe de DII do NuDii, em São Paulo.
O infliximabe (originador Remicade®) é um biológico anti-TNF para a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa. Em resumo:
- Bloqueia o TNF-alfa e tem rápido início de ação — escolha na colite aguda grave e na Doença de Crohn perianal.
- É aplicado por via intravenosa (indução nas semanas 0, 2 e 6; manutenção a cada 8 semanas) e, mais recentemente, subcutânea.
- O Remicade é o medicamento de referência (originador); seus biossimilares — Remsima, Inflectra, Renflexis, Avsola e outros — são altamente semelhantes e equivalentes.
- Estudos como o NOR-SWITCH mostram que trocar do Remicade para o biossimilar é não inferior a manter o originador.
O infliximabe (Remicade) explicado pela equipe NuDii
Assista no canal Medicina em Foco a uma explicação direta sobre o infliximabe (Remicade®) no tratamento da Doença de Crohn e da Retocolite Ulcerativa.
O que é o infliximabe (Remicade)?
O infliximabe é um medicamento biológico que bloqueia a ação do Fator de Necrose Tumoral Alfa (TNF-alfa), usado no tratamento da Doença de Crohn e da Retocolite Ulcerativa. Pode ser administrado por via intravenosa e, mais recentemente, também por via subcutânea. Seu grande destaque é o rápido início de ação. O medicamento originador (de referência) do infliximabe é o Remicade®.
O infliximabe foi inicialmente usado na artrite reumatoide. Seu primeiro uso na Doença Inflamatória Intestinal ocorreu em Amsterdã, em 1993, numa paciente de 12 anos com Doença de Crohn refratária — que teve melhora imediata após a primeira dose. Em 1998, a terapia foi aprovada pelo FDA para a Doença de Crohn, tornando-se um marco no tratamento das DII.

Como o infliximabe funciona?
O TNF-alfa é uma proteína produzida por células do sistema imunológico que ativa a resposta inflamatória nos tecidos. O infliximabe atua bloqueando a ação do TNF-alfa, reduzindo a inflamação e promovendo o controle da doença.
Benefícios do tratamento
Para quem o infliximabe (Remicade) é indicado?
💡 Destaques do infliximabe: é a primeira escolha na Doença de Crohn perianal e o principal imunobiológico na colite aguda grave, graças ao rápido início de ação.
Possíveis doenças induzidas
Como outros anti-TNF, o infliximabe pode, raramente, associar-se a quadros induzidos pelo tratamento, como lúpus induzido por droga (síndrome lúpus-like) e exacerbação de insuficiência cardíaca.
Como o infliximabe (Remicade) é administrado?
O tratamento tem fase de indução (mais intensa) e fase de manutenção (mantida enquanto controlar a doença).
Indução — intravenosa
Infusão de pelo menos 2 horas: dose inicial, seguida de infusões nas semanas 2 e 6 após a primeira.
Manutenção — intravenosa
Infusões mantidas, em geral, a cada 8 semanas (ou conforme ajuste do médico, eventualmente a cada 4–6 semanas pela resposta e pelo TDM).
Opção subcutânea
Após a indução intravenosa, há a opção de manutenção subcutânea (a cada 2 semanas), com a comodidade da autoaplicação em casa após treinamento — útil, por exemplo, para quem tem acesso venoso difícil.
Eficácia e segurança do infliximabe
O infliximabe é eficaz na indução e na manutenção da remissão clínica, laboratorial e endoscópica na Doença de Crohn e na Retocolite Ulcerativa. É a primeira escolha na doença perianal e o principal imunobiológico na colite aguda grave, com boa resposta também nas manifestações extraintestinais.

Efeitos adversos possíveis
Incluem infecções respiratórias, dor, febre, cefaleia, náusea, vômito, diarreia, tontura, tosse, erupção cutânea e cansaço. Por suprimir o TNF-alfa, há risco de tuberculose e infecções sistêmicas (bacterianas, fúngicas e virais) — daí o rastreio obrigatório antes de iniciar. Mais raramente: quadros semelhantes ao lúpus, doenças neurológicas desmielinizantes, piora de insuficiência cardíaca e risco aumentado de algumas neoplasias.
Exames e vacinas antes de iniciar o infliximabe
Antes da primeira dose, é essencial uma avaliação completa e exames de triagem:
Atualização do cartão de vacinas
Idealmente antes da imunossupressão. Indicadas (inativadas): influenza, Covid, pneumocócica, hepatites A e B, meningocócicas B e C, HPV, herpes-zóster inativada (Shingrix) e dT/dTpa. Contraindicadas durante a imunossupressão (vírus vivo): dengue, febre amarela, herpes-zóster atenuada, varicela, tríplice viral e poliomielite oral.
TDM: monitoramento terapêutico do infliximabe
O TDM (Monitoramento Terapêutico de Drogas) mede o nível do medicamento no sangue e a presença de anticorpos contra ele. É especialmente relevante para o infliximabe, ajudando a personalizar o tratamento.
Biossimilares do infliximabe e a evidência científica
Quando um imunobiológico perde a patente, surgem os biossimilares. O produto inicialmente criado e aprovado é o medicamento originador (de referência) — no caso do infliximabe, o Remicade®. O biossimilar é um produto altamente semelhante ao de referência, criado como alternativa eficaz e mais acessível em tratamentos de alto custo.
Lista de biossimilares do infliximabe
Cada biossimilar tem um código de molécula e uma ou mais marcas comerciais. A disponibilidade varia por país e por convênio — confirme sempre com o seu médico e com a fonte oficial.
| Molécula | Marcas comerciais | Fabricante | Via |
|---|---|---|---|
| Remicade® (originador) | Remicade | Janssen / Johnson & Johnson | Intravenosa |
| CT-P13 (infliximabe-dyyb) | Remsima, Inflectra; Remsima SC | Celltrion / Pfizer | IV e subcutânea |
| SB2 (infliximabe-abda) | Renflexis, Flixabi | Samsung Bioepis / Organon | Intravenosa |
| ABP 710 (infliximabe-axxq) | Avsola | Amgen | Intravenosa |
| PF-06438179 / GP1111 (infliximabe-qbtx) | Ixifi, Zessly | Pfizer / Sandoz | Intravenosa |
| Outros (regionais) | Xilfya e outros | Diversos | Intravenosa |
O CT-P13 (Remsima/Inflectra) foi o primeiro anticorpo monoclonal biossimilar aprovado (EMA, 2013) e é o único com formulação subcutânea (Remsima SC).
O que a ciência mostra (incluindo estudos de 2024–2026)
Para serem aprovados, os biossimilares passam por uma comparação rigorosa que demonstra não haver diferença clinicamente significativa em relação ao medicamento de referência em qualidade, eficácia e segurança. A evidência acumulada:
💡 O Remicade é o padrão de referência: ele é o originador — a molécula contra a qual todos os biossimilares são medidos e cuja equivalência precisam comprovar. A evidência de 2024–2026 mostra que os biossimilares são equivalentes (não inferiores) ao Remicade em eficácia, segurança e imunogenicidade; a troca única é segura e eficaz.
Imunogenicidade: o que dizem os dados
A imunogenicidade é a tendência de o organismo formar anticorpos antidroga (ADA) contra o medicamento. Esses anticorpos podem reduzir o nível sérico e a eficácia do infliximabe e, às vezes, causar reações. Dois pontos são decisivos para entender o tema:
Reações adversas: originador × biossimilar
Os ensaios e as meta-análises mostram perfil de eventos adversos comparável entre o Remicade e seus biossimilares — incluindo reações infusionais, infecções e taxas de descontinuação. As reações mais comuns (do infliximabe como um todo) já estão descritas na seção de segurança acima e valem igualmente para o originador e os biossimilares.
💡 Efeito nocebo: parte da piora relatada após a troca para um biossimilar é atribuída ao efeito nocebo — sintomas desencadeados pela expectativa negativa, e não por diferença farmacológica do medicamento. Uma boa comunicação médico-paciente sobre a equivalência reduz esse fenômeno.
Pontos ainda em discussão (a nuance honesta)
A troca única (originador → biossimilar) é bem estabelecida. O que ainda tem menos evidência consolidada são as múltiplas trocas, o cross-switching entre biossimilares diferentes e a intercambialidade automática — cenários em que a decisão deve ser individualizada pelo médico, idealmente apoiada por TDM. Já a principal vantagem dos biossimilares é o custo: por serem mais baratos, ampliam o acesso ao tratamento e reduzem os gastos do sistema de saúde.
Especialistas no manejo do infliximabe (Remicade)
O NuDii reúne gastroenterologistas e proctologistas com experiência específica no tratamento biológico das Doenças Inflamatórias Intestinais em São Paulo. A equipe conduz a indicação, o monitoramento (TDM) e a eventual escolha entre originador e biossimilar de forma individualizada e baseada em evidências, com atendimento no Instituto Medicina em Foco.
Dr. Rodrigo Barbosa
Gastrocirurgia, Cirurgia Bariátrica e ColoproctologiaCRM-SP 167670 · RQE 78610
Dra. Sabrina Figueiredo
Gastroenterologia — DIICRM-SP 203753 · RQE 99224
Dra. Laís Naziozeno
Gastroenterologia — SII e DIICRM-SP 204969 · RQE 115836
Dr. Alexandre Ferrari
Coloproctologia — especialista em DIICRM-SP 179945 · RQE 92807
Dr. Alexander Rolim
Coloproctologia — DII e pesquisa clínicaCRM-SP 83270 · RQE 55787 / 115989 / 115988
Dr. Carlos Obregon
Cirurgia do Aparelho Digestivo e ColoproctologiaCRM-SP 177864 · RQE 107012 / 107013
10 perguntas frequentes sobre o infliximabe (Remicade)
O que é o infliximabe (Remicade)?
O infliximabe é um medicamento biológico anti-TNF que bloqueia o TNF-alfa, proteína central na inflamação das Doenças Inflamatórias Intestinais. Tem rápido início de ação e é usado na Doença de Crohn e na Retocolite Ulcerativa. Seu medicamento originador (de referência) é o Remicade®, e existem vários biossimilares disponíveis.
Como o infliximabe funciona?
O TNF-alfa é uma proteína do sistema imunológico que dispara a resposta inflamatória nos tecidos. O infliximabe bloqueia a ação do TNF-alfa, reduzindo a inflamação e controlando a doença, com a vantagem de um início de ação rápido.
Para que serve e quando o infliximabe é indicado?
É indicado na Doença de Crohn moderada a grave ou refratária, na doença perianal e fistulizante (sendo primeira escolha nesses casos), e na Retocolite Ulcerativa moderada a grave refratária, incluindo a colite aguda grave que não responde ao corticoide venoso. Também responde bem em manifestações extraintestinais como pioderma gangrenoso e dor articular.
Como o infliximabe (Remicade) é administrado?
Na indução, por infusão intravenosa (mínimo de 2 horas) nas semanas 0, 2 e 6. A manutenção intravenosa costuma ser a cada 8 semanas. Há também a opção de manutenção subcutânea (a cada 2 semanas), que permite a autoaplicação em casa após treinamento e dispensa o acesso venoso.
O que são os biossimilares do infliximabe?
Quando um biológico perde a patente, surgem os biossimilares: produtos altamente semelhantes ao originador (o Remicade), aprovados após demonstrarem não haver diferença clinicamente significativa em qualidade, eficácia e segurança. São uma alternativa eficaz e mais acessível em tratamentos de alto custo.
Quais são os biossimilares do infliximabe?
Os principais são: CT-P13 (Remsima e Inflectra, incluindo a formulação subcutânea Remsima SC), SB2 (Renflexis/Flixabi), ABP 710 (Avsola) e PF-06438179/GP1111 (Ixifi/Zessly), além de outros de alcance regional, como o Xilfya. A disponibilidade varia por país e por convênio; o médico confirma a opção adequada.
O biossimilar é tão eficaz quanto o Remicade?
Sim. Os biossimilares precisam comprovar equivalência ao Remicade antes da aprovação. O CT-P13 tem sequência primária idêntica à do Remicade e estrutura altamente semelhante; estudos como PLANETRA, PLANETAS e o NOR-SWITCH demonstraram eficácia, segurança e imunogenicidade comparáveis. O Remicade segue como produto de referência — a molécula contra a qual os biossimilares são medidos.
É seguro trocar do Remicade para um biossimilar?
A troca única do originador para o biossimilar é considerada segura e eficaz: no estudo NOR-SWITCH, com 482 pacientes, a troca foi não inferior a manter o Remicade, com taxas de remissão semelhantes. Já a intercambialidade, as múltiplas trocas e o cross-switching entre diferentes biossimilares têm menos evidência e devem ser decididos individualmente pelo médico.
O que é o TDM e por que importa no infliximabe?
O TDM (Monitoramento Terapêutico de Drogas) mede o nível do infliximabe no sangue e a presença de anticorpos contra ele. Níveis adequados se associam a melhor resposta; anticorpos elevados reduzem a eficácia. Com base no TDM e na resposta clínica, o médico pode ajustar a dose, mudar o intervalo ou trocar de biológico. Até o momento, o TDM não está no rol de cobertura obrigatória da ANS.
Quais exames e vacinas são necessários antes de iniciar?
Antes de iniciar, faz-se investigação de tuberculose (RX de tórax e PPD ou IGRA), hemograma, PCR, função renal e hepática, avaliação de vitaminas e sorologias. As vacinas devem ser atualizadas idealmente antes da imunossupressão: indicadas as inativadas (influenza, pneumocócica, hepatites A e B, HPV, entre outras) e contraindicadas as de vírus vivo (febre amarela, tríplice viral, varicela, entre outras) durante o tratamento.
O biossimilar causa mais reações ou mais anticorpos que o Remicade?
Não, segundo a evidência atual. Ensaios e meta-análises recentes (incluindo uma síntese de 2025 com mais de 10.000 pacientes) mostram perfil de reações adversas e de imunogenicidade comparável entre o Remicade e seus biossimilares. Os anticorpos anti-infliximabe têm reatividade cruzada entre originador e biossimilares — ou seja, a imunogenicidade é uma característica da molécula infliximabe, não da marca. O que orienta a conduta é o monitoramento terapêutico (TDM), e não a escolha entre originador e biossimilar.
Tratamento com infliximabe (Remicade) no NuDii
Indicar e acompanhar o infliximabe (Remicade®) e seus biossimilares com segurança exige experiência em terapia biológica, monitoramento por TDM e manejo das DII. O NuDii é o Núcleo de Doenças Inflamatórias Intestinais que reúne especialistas em gastroenterologia e proctologia, com atendimento no Instituto Medicina em Foco, em São Paulo, infraestrutura para colonoscopia, endoscopia e ultrassonografia intestinal e equipe multidisciplinar para um cuidado integral.
- NOR-SWITCH — Jørgensen et al., The Lancet (2017)
- Reverse switching SB2 → originador — Fischer et al., Therap Adv Gastroenterol (2024)
- Meta-análise de switching em DII (>10.000 pacientes), 2025 — eficácia, segurança e imunogenicidade comparáveis
- GEDIIB — Grupo de Estudos da Doença Inflamatória Intestinal do Brasil
- ANVISA — Agência Nacional de Vigilância Sanitária
- NuDii — Guia de medicações para Crohn e Retocolite
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Agende uma avaliação com a equipe do NuDii e descubra se o infliximabe (Remicade), um biossimilar ou outra terapia é a melhor opção para o seu caso.
Aviso: as informações desta página têm caráter informativo e educacional e não substituem a consulta médica. A indicação e o ajuste do infliximabe (Remicade) ou de seus biossimilares devem ser sempre feitos por um médico. Procure sempre orientação profissional para diagnóstico e tratamento adequados.

