MEDICAÇÃO · BIOLÓGICO ANTI-TNF
Adalimumabe: o biológico anti-TNF para Crohn e retocolite
Entenda o que é o adalimumabe, como esse imunobiológico anti-TNF-alfa age na doença de Crohn e na retocolite ulcerativa, como é a aplicação subcutânea e o monitoramento — com a equipe de DII do NuDii, em São Paulo.
O adalimumabe é um medicamento biológico que inibe o TNF-alfa, uma proteína central na inflamação das doenças autoimunes. Na doença de Crohn e na retocolite ulcerativa moderada a grave, ele reduz a inflamação, alivia os sintomas e ajuda na cicatrização da mucosa. É aplicado por via subcutânea (autoaplicável após treino), geralmente a cada 2 semanas. Não cura a doença, mas ajuda a induzir e manter a remissão sob acompanhamento médico.
- Classe: imunobiológico anti-TNF-alfa (anticorpo totalmente humano)
- Indicações em DII: Crohn e retocolite ulcerativa moderadas a graves ou refratárias
- Aplicação: subcutânea, em geral a cada 2 semanas, podendo ser autoaplicada
- Objetivo: induzir e manter a remissão; não é curativo
Adalimumabe e os biológicos na DII, pela equipe NuDii
Assista no canal Medicina em Foco a uma explicação direta sobre como os imunobiológicos como o adalimumabe atuam no tratamento da doença de Crohn e da retocolite ulcerativa.
O que é o adalimumabe?
O adalimumabe é um medicamento biológico que atua como inibidor do fator de necrose tumoral alfa (TNF-alfa). É utilizado no tratamento de pacientes com doença inflamatória intestinal e também de algumas doenças reumatológicas e dermatológicas.
Seu desenvolvimento começou na década de 1990, com o objetivo de criar um anticorpo totalmente humano capaz de inibir o TNF-alfa — uma proteína inflamatória importante em várias doenças autoimunes. Por ser idêntico às proteínas humanas, espera-se um risco menor de reações imunológicas contra a própria medicação.
Em 2002, foi aprovado pelo FDA (Food and Drug Administration, a agência de saúde dos EUA) para o tratamento da artrite reumatoide. Depois disso, recebeu aprovação para outras doenças autoimunes, incluindo a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa. Desde então, tornou-se um dos biológicos mais prescritos no mundo para doenças inflamatórias.

Como o adalimumabe funciona?
O adalimumabe atua inibindo o fator de necrose tumoral alfa (TNF-alfa), uma proteína que desempenha papel central na resposta inflamatória de várias doenças autoimunes. Ao neutralizar o TNF-alfa, ele reduz a inflamação, alivia os sintomas e favorece a cicatrização da mucosa intestinal na doença de Crohn e na retocolite ulcerativa.
Benefícios associados ao tratamento
Na literatura sobre DII, o tratamento com anti-TNF como o adalimumabe é associado a benefícios como:
💡 Importante: os benefícios variam de pessoa para pessoa. A indicação, a dose e a duração do tratamento são sempre definidas pelo médico, conforme o quadro clínico e a resposta de cada paciente.
Indicações do adalimumabe e doenças tratadas
O adalimumabe é aprovado para um conjunto de doenças autoimunes. Nas doenças inflamatórias intestinais, a indicação leva em conta a gravidade e a resposta a tratamentos anteriores.
| Condição | Quando o adalimumabe costuma ser indicado |
|---|---|
| Doença de Crohn | Forma moderada a grave, ou refratária à terapia convencional (azatioprina ou 6-mercaptopurina), ou em pacientes dependentes de corticoide. |
| Retocolite ulcerativa | Forma moderada a grave que não respondeu ao tratamento convencional (aminossalicilatos, corticoides e imunossupressores) ou com intolerância a essas terapias. |
Outras doenças tratadas
Além da DII, o adalimumabe é utilizado em diversas condições reumatológicas e dermatológicas:
Possíveis reações autoimunes induzidas
Em situações específicas, os anti-TNF podem se associar a quadros autoimunes induzidos. Por isso o acompanhamento médico é essencial:
Cuidados antes de iniciar o adalimumabe
Antes de começar o tratamento com adalimumabe, é essencial uma avaliação completa para garantir a segurança. Isso geralmente inclui:
Avaliação médica completa
História dos sintomas, doenças preexistentes, cirurgias prévias e exame físico detalhado.
Exames de sangue
Hemograma, proteína C reativa (PCR), função renal, avaliação de vitaminas (ferro, B12, ácido fólico, vitamina D) e avaliação hepática.
Exames de fezes
Para descartar infecções e avaliar a atividade da doença.
Investigação de tuberculose
Devido ao risco de reativação durante o tratamento: radiografia de tórax e prova tuberculínica (PPD) ou IGRA.
Testes para infecções virais
HIV, hepatite B e hepatite C antes do início da imunossupressão.
Atualização do cartão de vacinas
A atualização vacinal deve ser feita, preferencialmente, antes do início da imunossupressão. A tabela abaixo resume as vacinas indicadas e as contraindicadas durante o uso do biológico.
| Vacinas indicadas para o imunossuprimido | Vacinas contraindicadas (vírus atenuado) |
|---|---|
| Influenza, Covid-19, pneumocócica, hepatites A e B | Dengue, febre amarela, varicela |
| Meningocócica B (privada) e meningocócica C | Herpes-zóster atenuada (Zostavax) |
| HPV, dT/dTpa | Tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba) |
| Herpes-zóster inativada (Shingrix, privada) | BCG e poliomielite oral |
Como o adalimumabe é administrado?
O adalimumabe é aplicado por via subcutânea. A injeção é rápida (poucos segundos) e, após treinamento adequado, pode ser autoaplicada em casa. As doses e a periodicidade são definidas pelo médico.
| Etapa | Dose e periodicidade |
|---|---|
| Primeira dose | 160 mg |
| Segunda dose | 80 mg |
| Terceira dose em diante (manutenção) | 40 mg, em geral a cada 2 semanas — o intervalo pode ser ajustado para 1x por semana conforme a resposta, sempre a critério médico. |
Possíveis reações da injeção: reações no local da aplicação (dor, inchaço, hematoma, coceira); fadiga, náuseas e dor de cabeça; e reações alérgicas como coceira, erupção cutânea, dificuldade para respirar, dor no peito e alterações da pressão arterial.
Onde aplicar?
A aplicação subcutânea costuma ser feita no abdômen (afastando-se da região do umbigo) ou na parte frontal da coxa. Recomenda-se alternar (fazer rodízio) dos locais a cada aplicação e evitar áreas com vermelhidão, hematomas, endurecimento ou cicatrizes. O treino com a equipe de saúde garante uma aplicação correta e segura.

Subcutânea: vantagens e cuidados
A via subcutânea traz comodidade, pois permite a autoaplicação em casa, sem deslocamento até um centro de infusão; a aplicação é rápida e dispensa acesso venoso — uma vantagem para pacientes com veias de difícil acesso, como alguns idosos.
Por outro lado, exige treinamento do paciente, pode causar dor no local da aplicação e, como o paciente não está com um profissional de saúde no momento, eventuais reações alérgicas não são identificadas e tratadas de imediato. Além disso, o armazenamento domiciliar precisa seguir as orientações de refrigeração, já que a conservação inadequada pode comprometer a eficácia e a segurança do tratamento.
Eficácia, segurança e efeitos colaterais
Resultados esperados
Os pacientes podem apresentar melhora significativa dos sintomas, em geral dentro de algumas semanas após o início do tratamento. O adalimumabe também favorece a cicatrização da mucosa intestinal e tende a reduzir a necessidade de corticosteroides para o controle da doença.
Embora seja usado tanto na retocolite ulcerativa quanto na doença de Crohn, os estudos sugerem que a taxa de resposta pode ser menor na retocolite ulcerativa. Como outros anti-TNF, uma vantagem do adalimumabe é a possibilidade de melhora de algumas manifestações extraintestinais das doenças inflamatórias.
Efeitos colaterais
⚠️ Atenção: sinais de infecção (febre, tosse persistente, mal-estar) ou reações importantes durante o tratamento devem ser comunicados ao médico. Não interrompa nem ajuste a medicação por conta própria.
Monitoramento terapêutico (TDM) do adalimumabe
O que é o TDM?
TDM significa Monitoramento Terapêutico de Medicamentos (do inglês, Therapeutic Drug Monitoring) e consiste em medir os níveis de um determinado medicamento no sangue.
Por que é importante?
O TDM serve para acompanhar a eficácia do tratamento e ajustar a dose quando necessário. Níveis adequados da medicação no sangue se associam a melhor resposta. Ele também ajuda a identificar a formação de anticorpos contra a droga — situação que reduz o nível sanguíneo do medicamento e, em consequência, sua eficácia no controle da doença.
Como é feito?
O TDM é realizado por meio da coleta de sangue e análise laboratorial do nível da medicação e da detecção de anticorpos contra ela. A coleta costuma ser indicada antes da próxima dose (por exemplo, 1 dia antes da injeção), na semana de tratamento determinada pelo médico.
O médico avalia esses resultados em conjunto com a resposta clínica do paciente. Se os níveis estiverem baixos e/ou os anticorpos elevados, pode-se considerar aumentar a dose, reduzir o intervalo entre as aplicações ou trocar para outro imunobiológico.
Cobertura pelo plano de saúde
Até o momento, o TDM não consta no Rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) como procedimento de cobertura obrigatória pelos planos de saúde.
O que são os biossimilares do adalimumabe?
Com o tempo, à medida que alguns imunobiológicos perderam a patente, surgiram os biossimilares. O produto inicialmente criado e aprovado é chamado de medicamento originador; o biossimilar é um produto altamente semelhante ao de referência, que surge como alternativa eficaz e acessível em tratamentos de alto custo.
Para serem aprovados, os biossimilares passam por testes clínicos que demonstram não haver diferenças clinicamente significativas entre o biossimilar e o medicamento de referência em termos de segurança, eficácia e qualidade. A maior vantagem está no custo: por serem menos caros que o originador, podem ampliar o acesso ao tratamento e reduzir os gastos do sistema de saúde.
| Tipo | Produtos |
|---|---|
| Medicamento originador | Humira |
| Biossimilares | Amgevita, Hadlima, Hulio, Hyrimoz, Idacio, Xilbrilada, Yuflyma |
Especialistas em DII do NuDii
O NuDii reúne gastroenterologistas, proctologistas e especialistas de áreas relacionadas, com experiência no manejo de doença de Crohn e retocolite ulcerativa em São Paulo. A equipe multidisciplinar oferece cuidado contínuo, individualizado e baseado em evidências, com atendimento no Instituto Medicina em Foco.
Dr. Rodrigo Barbosa
Gastrocirurgia, Cirurgia Bariátrica e ColoproctologiaCRM-SP 167670 · RQE 78610
Dr. Alexander Rolim
Coloproctologia — DII e pesquisa clínicaCRM-SP 83270 · RQE 55787
Dr. Carlos Obregon
Cirurgia do Aparelho Digestivo e ColoproctologiaCRM-SP 177864 · RQE 107012
Dr. Alexandre Ferrari
Coloproctologia — DII e assoalho pélvicoCRM-SP 179945 · RQE 92807
Dra. Sabrina Figueiredo
Gastroenterologia — DIICRM-SP 203753 · RQE 99224
Dra. Laís Naziozeno
Gastroenterologia — SII e DIICRM-SP 204969 · RQE 115836
Dr. Erivelton Lopes
Reumatologia — espondiloartrite axialCRM-SP 166408 · RQE 89517
Dúvidas comuns sobre o adalimumabe
O que é o adalimumabe e como ele funciona?
É um medicamento biológico que atua no sistema imunológico inibindo o TNF-alfa, uma proteína inflamatória. Com isso, diminui a inflamação e a atividade da doença na Crohn e na retocolite ulcerativa.
Quais são os efeitos colaterais do adalimumabe?
Os mais comuns incluem infecções (como resfriado), reações no local da injeção, dor de cabeça e fadiga. Em casos raros, podem ocorrer reações alérgicas graves. Sinais de infecção devem ser comunicados ao médico.
Como o adalimumabe é administrado?
Por via subcutânea, geralmente a cada duas semanas. Após orientação adequada, as injeções podem ser autoaplicadas em casa.
Quanto tempo leva para o adalimumabe fazer efeito?
O início do efeito pode variar, mas geralmente leva algumas semanas para a melhora dos sintomas.
O adalimumabe cura a doença de Crohn ou a retocolite ulcerativa?
Não. O adalimumabe não cura essas doenças, mas ajuda a controlar os sintomas e a manter a doença em remissão.
O adalimumabe pode ser usado durante a gravidez ou a amamentação?
O uso durante a gravidez e a amamentação deve ser discutido com o médico, pois riscos e benefícios precisam ser avaliados caso a caso.
Por quanto tempo precisarei usar o adalimumabe?
Ele costuma ser usado a longo prazo para manter a remissão da doença. A duração depende da resposta ao medicamento e da evolução do quadro, conforme avaliação médica.
O adalimumabe pode perder a eficácia ao longo do tempo?
Em alguns pacientes, sim — fenômeno conhecido como “perda secundária de resposta”, que pode ocorrer pelo desenvolvimento de anticorpos contra o medicamento. O monitoramento terapêutico (TDM) ajuda a investigar.
O adalimumabe pode ser usado em combinação com outros medicamentos?
Sim. Pode ser combinado com corticosteroides e imunossupressores, especialmente no início do tratamento. A combinação deve sempre ser feita sob orientação médica.
Como sei se o adalimumabe está funcionando?
A eficácia é avaliada pela redução de sintomas como dor abdominal, diarreia e sangramento retal, além de exames laboratoriais e endoscópicos que mostram a redução da inflamação.
Atendimento especializado em DII no NuDii
O NuDii é o Núcleo de Doenças Inflamatórias Intestinais que reúne especialistas em gastroenterologia e proctologia no diagnóstico e acompanhamento da doença de Crohn e da retocolite ulcerativa, incluindo o manejo de tratamentos biológicos como o adalimumabe. O atendimento acontece no Instituto Medicina em Foco, em São Paulo, com infraestrutura para colonoscopia, endoscopia e ultrassonografia intestinal, além de equipe multidisciplinar — nutrição, psicologia, reumatologia e dermatologia — para um cuidado integral e humanizado.
- GEDIIB — Consensos Brasileiros de manejo da Doença de Crohn e da Retocolite Ulcerativa (Arq Gastroenterol, 2022)
- Humira (adalimumabe) — bula do profissional, AbbVie
- Rutgeerts P, et al. EXTEND — cicatrização mucosa na Doença de Crohn. Gastroenterology, 2012
- Sandborn WJ, et al. Adalimumabe na colite ulcerativa moderada a grave. Gastroenterology, 2012
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Aviso: as informações desta página têm caráter informativo e educacional e não substituem a consulta médica. O adalimumabe é um medicamento de uso sob prescrição e acompanhamento médico — não inicie, interrompa ou ajuste o tratamento por conta própria. Procure sempre orientação profissional para diagnóstico e tratamento adequados.

