MEDICAÇÃO · BIOLÓGICO ANTI-IL-23
Risanquizumabe (Skyrizi): o anti-IL-23 para doença de Crohn
Entenda o que é o risanquizumabe — nome comercial Skyrizi® —, como esse imunobiológico inibidor da interleucina-23 (IL-23) trata a doença de Crohn, como funciona a aplicação em duas fases (indução intravenosa e manutenção subcutânea), eficácia e cuidados — com a equipe de DII do NuDii, em São Paulo.
O risanquizumabe (nome comercial Skyrizi®) é um anticorpo monoclonal humanizado que inibe a interleucina-23 (IL-23), uma proteína central na inflamação da doença de Crohn. Ao bloquear seletivamente a IL-23, reduz a inflamação, melhora os sintomas e favorece a cicatrização da mucosa. É indicado na doença de Crohn ativa moderada a grave, aplicado em duas fases — indução intravenosa e manutenção subcutânea. Não cura a doença, mas ajuda a induzir e manter a remissão sob acompanhamento médico.
- Classe: inibidor seletivo da interleucina-23 (anti-IL-23)
- Nome comercial: Skyrizi® · princípio ativo: risanquizumabe
- Indicação em DII: doença de Crohn ativa moderada a grave
- Aplicação: indução intravenosa (600 mg) e manutenção subcutânea (360 mg)
Risanquizumabe (Skyrizi) na doença de Crohn, pela equipe NuDii
Assista no canal Medicina em Foco a uma explicação direta sobre como o risanquizumabe (Skyrizi®), inibidor da IL-23, atua no tratamento da doença de Crohn.
O que é o risanquizumabe (Skyrizi®)?
O risanquizumabe é um medicamento biológico utilizado no tratamento das doenças inflamatórias intestinais, com destaque para a doença de Crohn. Seu nome comercial é Skyrizi®. Trata-se de um anticorpo monoclonal humanizado que atua inibindo a interleucina-23 (IL-23), com melhora dos sintomas e da qualidade de vida do paciente.
Breve história do medicamento
O Skyrizi® foi inicialmente desenvolvido e aprovado para o tratamento da psoríase — condição autoimune que compartilha mecanismos imunológicos com a doença de Crohn. Ao observar os benefícios do bloqueio da IL-23 em doenças inflamatórias, pesquisadores perceberam seu potencial para a doença de Crohn.
Diferente de outros biológicos, como os inibidores de TNF — que atuam em múltiplos alvos inflamatórios —, o risanquizumabe foi projetado especificamente para bloquear a IL-23. Esse foco ajudou a reduzir alguns efeitos colaterais comuns às terapias biológicas e demonstrou eficácia em pacientes que não responderam a terapias convencionais. A aprovação para a doença de Crohn, mais recente, reforça seu papel no manejo moderno das doenças inflamatórias intestinais.

Como o risanquizumabe funciona?
O risanquizumabe é um anticorpo monoclonal humanizado que inibe a atividade da interleucina-23 (IL-23), uma proteína com papel importante na inflamação. Ao inibir essa proteína, reduz a inflamação e contribui para o controle dos sintomas da doença de Crohn — como dor abdominal, diarreia e sangramento intestinal. Essa ação específica sobre a IL-23 é um dos motivos da eficácia do Skyrizi® na doença de Crohn, inclusive em casos resistentes.
Benefícios associados ao tratamento
Na literatura sobre doença de Crohn, o tratamento com risanquizumabe é associado a benefícios como:
💡 Importante: os benefícios variam de pessoa para pessoa. A indicação, a dose e a duração do tratamento são sempre definidas pelo médico, conforme o quadro clínico e a resposta de cada paciente.
Como o risanquizumabe atua no sistema imunológico
O risanquizumabe pertence à classe dos inibidores de interleucina, que atuam de forma altamente seletiva no sistema imunológico. Ao contrário de terapias imunossupressoras mais antigas, que suprimiam a resposta imune de maneira ampla, o risanquizumabe bloqueia especificamente a interleucina-23 (IL-23), uma citocina central na regulação da inflamação crônica intestinal.
A IL-23 tem papel fundamental na ativação e proliferação de células Th17, diretamente envolvidas na cascata inflamatória da doença de Crohn. Ao inibir essa via específica, o medicamento reduz a inflamação de forma direcionada, preservando em maior grau outros aspectos da imunidade e diminuindo o risco de infecções oportunistas.
Estudos clínicos de fase 3 demonstraram que o bloqueio seletivo da IL-23 proporciona taxas relevantes de remissão clínica e endoscópica na doença de Crohn moderada a grave, com cicatrização da mucosa intestinal — objetivo terapêutico cada vez mais valorizado. O mecanismo seletivo ainda preserva a via da IL-12, importante na defesa contra certas infecções, o que representa um diferencial em relação a fármacos que bloqueiam tanto a IL-12 quanto a IL-23.
Indicações do risanquizumabe e cobertura
Doenças tratadas
Para quem é indicado na doença de Crohn?
É indicado para pacientes com doença de Crohn ativa, moderada a grave, que não responderam adequadamente ao tratamento com medicações imunossupressoras ou que têm contraindicação a esses tratamentos.
📋 Cobertura no Brasil: o risanquizumabe está aprovado pela ANVISA e presente no Rol da ANS, com cobertura obrigatória pelos planos de saúde para a doença de Crohn. Pelo SUS, até o momento, a medicação está disponível apenas para o tratamento da psoríase.
Diferenças entre os biológicos para doença de Crohn
O arsenal terapêutico para a doença de Crohn moderada a grave inclui diferentes classes de biológicos, cada uma com um mecanismo de ação distinto. A escolha depende da atividade da doença, das manifestações extraintestinais, do histórico de tratamentos e das comorbidades de cada paciente.
| Classe | Alvo | Exemplos |
|---|---|---|
| Inibidor de IL-23 | Interleucina-23 (seletivo) | Risanquizumabe (Skyrizi®) |
| Anti-TNF-alfa | Fator de necrose tumoral alfa | Adalimumabe, infliximabe, certolizumabe |
| Inibidor de integrina | Integrina α4β7 (seletivo do intestino) | Vedolizumabe |
| Inibidor de IL-12/23 | Interleucinas 12 e 23 | Ustequinumabe |
Pacientes que não responderam adequadamente a anti-TNF, ou que desenvolveram intolerância a eles, podem se beneficiar de medicamentos com mecanismos alternativos. A terapia de sequenciamento — a ordem em que os biológicos são usados ao longo do tratamento — é cada vez mais valorizada na prática clínica. O risanquizumabe pode ser usado tanto como primeira linha biológica quanto após a falha de outros medicamentos, com eficácia demonstrada em ambos os cenários conforme os dados clínicos disponíveis.
Cuidados antes de iniciar o tratamento
Antes de iniciar o tratamento com o imunobiológico, é essencial uma avaliação completa para garantir a segurança:
Avaliação médica completa
História clínica e exame físico, com avaliação dos sintomas, doenças preexistentes, histórico cirúrgico, estilo de vida e profissão.
Exames de sangue
Hemograma, proteína C reativa (PCR), função renal, vitaminas (ferro, B12, ácido fólico, vitamina D) e avaliação hepática.
Exames de fezes
Incluindo a dosagem de calprotectina fecal.
Investigação de tuberculose
Imagem do tórax (radiografia) associada a prova tuberculínica (PPD) ou IGRA/Quantiferon, pelo risco de reativação.
Testes para infecções virais
HIV, hepatite B e hepatite C antes do início da imunossupressão.
Atualização do cartão de vacinas
A vacinação deve ser atualizada, preferencialmente antes do início da imunossupressão:
| Vacinas indicadas para o imunossuprimido | Vacinas contraindicadas (vírus atenuado) |
|---|---|
| Influenza, Covid-19, pneumocócica, hepatites A e B | Dengue, febre amarela, varicela |
| Meningocócica B (privada) e meningocócica C | Herpes-zóster atenuada (Zostavax) |
| HPV, dT/dTpa | Tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba) |
| Herpes-zóster inativada (Shingrix, privada) | BCG e poliomielite oral |
Como o risanquizumabe (Skyrizi) é administrado?
O tratamento é realizado em duas fases: a fase de indução, mais intensa, com medicação intravenosa; e a fase de manutenção, com aplicação subcutânea por tempo prolongado, enquanto controlar a doença.
| Fase | Via | Dose (Crohn) | Periodicidade |
|---|---|---|---|
| Indução | Intravenosa (infusão ≥ 1 hora) | 600 mg | Semanas 0, 4 e 8 (3 infusões) |
| Manutenção | Subcutânea (poucos minutos) | 360 mg | Semana 12 e, depois, a cada 8 semanas |
Detalhes sobre posologia e preparo constam na bula do risanquizumabe, sempre com orientação médica individualizada.
Possíveis reações adversas

Intravenosa × subcutânea: vantagens de cada via
A administração intravenosa ocorre apenas na fase de indução (3 doses), feita por um profissional em centro de infusão — o que permite monitoramento durante a aplicação e rápida intervenção em caso de reação. Por outro lado, exige deslocamento até uma unidade especializada e acesso venoso, que pode ser desconfortável; eventualmente surgem complicações locais, como flebite ou hematoma.
Já a via subcutânea (manutenção) é mais conveniente: tem aplicação rápida, menor risco de complicações locais, dispensa acesso venoso — vantagem para pacientes com veias de difícil acesso, como alguns idosos — e permite a autoaplicação em casa, sem deslocamento até o centro de infusão.
Eficácia, segurança e efeitos colaterais do Skyrizi
Resultados esperados
O risanquizumabe é eficaz e seguro na indução e na manutenção da remissão clínica, laboratorial e endoscópica em pacientes com doença de Crohn. A resposta tende a ser rápida, com alguns pacientes apresentando melhora já nas primeiras semanas após o início do tratamento.
Efeitos colaterais do Skyrizi
Pela ação imunossupressora, o risanquizumabe pode aumentar o risco de infecções — principalmente respiratórias, cutâneas e do trato urinário. O tratamento pode afetar células sanguíneas e os testes de função hepática. Reações leves e autolimitadas nos locais das injeções são comuns, enquanto reações alérgicas graves são raras.
⚠️ Monitoramento: o acompanhamento regular durante o tratamento é fundamental para detectar e manejar precocemente qualquer efeito adverso. Relate ao médico qualquer sinal de infecção (febre, tosse, ardência ao urinar) e mantenha as vacinas em dia.
Cuidados práticos e orientações para pacientes
Pacientes em uso de biológicos devem manter acompanhamento clínico regular com o gastroenterologista. As consultas periódicas permitem avaliar a resposta ao tratamento, monitorar efeitos adversos e ajustar a terapia quando necessário. Exames laboratoriais de rotina, incluindo hemograma e marcadores inflamatórios, fazem parte do protocolo de monitoramento.
A vacinação preventiva deve ser atualizada antes do início do tratamento com qualquer biológico. Vacinas de vírus vivos são contraindicadas durante a terapia, então o calendário vacinal deve ser revisado e completado antecipadamente; vacinas inativadas, como gripe e pneumonia, são geralmente recomendadas.
A comunicação com a equipe médica é essencial: qualquer sintoma novo, reação após a aplicação ou infecção intercorrente deve ser relatado imediatamente. A adesão rigorosa ao esquema de administração prescrito é fundamental para manter os níveis terapêuticos adequados do medicamento.
Especialistas em DII do NuDii
O NuDii reúne gastroenterologistas, proctologistas e especialistas de áreas relacionadas, com experiência no manejo de doença de Crohn e retocolite ulcerativa em São Paulo. A equipe multidisciplinar oferece cuidado contínuo, individualizado e baseado em evidências, com atendimento no Instituto Medicina em Foco.
Dr. Rodrigo Barbosa
Gastrocirurgia, Cirurgia Bariátrica e ColoproctologiaCRM-SP 167670 · RQE 78610
Dr. Alexander Rolim
Coloproctologia — DII e pesquisa clínicaCRM-SP 83270 · RQE 55787
Dr. Carlos Obregon
Cirurgia do Aparelho Digestivo e ColoproctologiaCRM-SP 177864 · RQE 107012
Dr. Alexandre Ferrari
Coloproctologia — DII e assoalho pélvicoCRM-SP 179945 · RQE 92807
Dra. Sabrina Figueiredo
Gastroenterologia — DIICRM-SP 203753 · RQE 99224
Dra. Laís Naziozeno
Gastroenterologia — SII e DIICRM-SP 204969 · RQE 115836
Dr. Erivelton Lopes
Reumatologia — artrite psoriásica e espondiloartriteCRM-SP 166408 · RQE 89517
Dúvidas comuns sobre o risanquizumabe (Skyrizi)
Quanto tempo leva para o risanquizumabe (Skyrizi®) fazer efeito?
Os resultados variam de pessoa para pessoa, mas muitos pacientes começam a sentir melhora dos sintomas nas primeiras semanas de tratamento. A resposta clínica costuma ser avaliada entre 8 e 12 semanas, com efeito máximo entre 3 e 6 meses.
Preciso tomar o risanquizumabe (Skyrizi®) para sempre?
A duração do tratamento é individualizada e depende da resposta do paciente. Em alguns casos, pode ser necessário o uso contínuo para manter a remissão. A retirada deve sempre ser discutida com o médico.
O risanquizumabe (Skyrizi®) aumenta o risco de infecções?
Sim. Como qualquer medicamento que atua no sistema imunológico, pode aumentar o risco de infecções. Por isso é importante manter as vacinas em dia e informar ao médico qualquer sinal de infecção.
O risanquizumabe (Skyrizi®) é seguro para pessoas com outras doenças?
A segurança em pacientes com outras condições deve ser avaliada individualmente pelo médico. É fundamental informar todas as condições de saúde preexistentes antes de iniciar.
Posso realizar atividades normais durante o tratamento?
Sim. Em geral é possível realizar as atividades do dia a dia normalmente, seguindo as orientações do seu médico.
Posso tomar outros medicamentos junto com o risanquizumabe (Skyrizi®)?
É fundamental informar ao médico todos os medicamentos em uso, incluindo remédios sem prescrição, fitoterápicos e suplementos alimentares.
O risanquizumabe (Skyrizi®) é coberto por plano de saúde ou pelo SUS?
No Brasil, está aprovado para a doença de Crohn e presente no Rol da ANS, com cobertura obrigatória pelos planos de saúde. Pelo SUS, até o momento, está disponível apenas para o tratamento da psoríase.
O que acontece se eu perder uma dose do risanquizumabe (Skyrizi®)?
É importante manter um cronograma regular. Se uma dose for perdida, fale com o seu médico para ajustar o plano de tratamento.
Posso usar risanquizumabe (Skyrizi®) durante a gravidez ou a amamentação?
Não há dados suficientes sobre os efeitos durante a gravidez ou a amamentação. É crucial discutir riscos e benefícios com o médico antes de iniciar, se estiver grávida ou planejando engravidar.
O risanquizumabe (Skyrizi®) pode causar câncer?
Não há evidências suficientes para associar diretamente o risanquizumabe ao aumento do risco de câncer. Como com outros imunobiológicos, há monitoramento contínuo dos efeitos a longo prazo.
O risanquizumabe (Skyrizi®) é seguro para uso a longo prazo?
Estudos de longo prazo ainda avaliam a segurança e a eficácia do uso prolongado, mas os dados atuais sugerem que ele é relativamente seguro para a maioria dos pacientes quando há monitoramento adequado.
O que é cicatrização da mucosa e por que é importante?
É o processo de recuperação do tecido intestinal inflamado, avaliado por endoscopia. É um objetivo terapêutico moderno, associado a menor risco de complicações, hospitalizações e cirurgias a longo prazo. Os biológicos modernos, como o anti-IL-23, demonstram maior capacidade de induzir esse desfecho.
Qual a diferença entre um biológico e um medicamento convencional?
Os convencionais (como aminossalicilatos e corticoides) são moléculas pequenas sintetizadas quimicamente. Os biológicos são proteínas de grande peso molecular produzidas por biotecnologia, que atuam de forma altamente específica em alvos do processo inflamatório, com perfis de eficácia e segurança distintos.
Atendimento especializado em DII no NuDii
O NuDii é o Núcleo de Doenças Inflamatórias Intestinais que reúne especialistas em gastroenterologia e proctologia no diagnóstico e acompanhamento da doença de Crohn e da retocolite ulcerativa, incluindo o manejo de terapias biológicas modernas como o risanquizumabe (Skyrizi®). O atendimento acontece no Instituto Medicina em Foco, em São Paulo, com infraestrutura para colonoscopia, endoscopia e ultrassonografia intestinal, além de equipe multidisciplinar — nutrição, psicologia, reumatologia e dermatologia — para um cuidado integral e humanizado.
Dê o próximo passo no controle da sua saúde
Agende uma avaliação com a equipe do NuDii e receba um plano de cuidado personalizado para a doença de Crohn, incluindo orientação sobre o risanquizumabe (Skyrizi®) e outras terapias biológicas.
Aviso: as informações desta página têm caráter informativo e educacional e não substituem a consulta médica. O risanquizumabe (Skyrizi®) é um medicamento de uso sob prescrição e acompanhamento médico — não inicie, interrompa ou ajuste o tratamento por conta própria. Procure sempre orientação profissional para diagnóstico e tratamento adequados.

