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Ustequinumabe na Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa

Seu guia completo sobre este importante medicamento

Vamos aprender e esclarecer dúvidas sobre o que é Ustequinumabe, quais suas indicações, reações adversas, como é realizada sua administração. No final, abordaremos as dúvidas mais frequentes associadas ao tema.

Para uma avaliação completa do seu quadro clínico e das medicações que você usa, agende uma consulta com um de nossos especialistas.

O que é Ustequinumabe?

O Ustequinumabe é um medicamento biológico utilizado no tratamento de doenças inflamatórias autoimunes. É um anticorpo monoclonal totalmente humano que atua bloqueando a ação de duas proteínas específicas do sistema imunológico: as interleucinas 12 (IL-12) e 23 (IL-23).

As pesquisas sobre Ustequinumabe tiveram início nos anos 2000 com estudos clínicos que demonstraram sua eficácia e segurança em pacientes com psoríase, uma condição inflamatória da pele. O Ustequinumabe, ao contrário das outras terapias que existiam até o momento, foi o primeiro medicamento aprovado que bloqueava simultaneamente duas citocinas importantes no processo inflamatório, as interleucinas IL-12 e IL-23.

Antes, a maioria dos biológicos focava em inibir uma única citocina. Essa estratégia inovadora influenciou o desenvolvimento de outros medicamentos que seguem princípios semelhantes.

Em 2009, foi aprovado pelo FDA (Food and Drug Administration – agência de Saúde dos EUA) para tratamento de psoríase em placas moderada a grave. As pesquisas continuaram e, em 2016, foi aprovado para o tratamento da doença de Crohn moderada a grave, recebendo mais recentemente, também aprovação para uso na retocolite ulcerativa.

Hoje, Ustequinumabe é amplamente utilizado em todo o mundo, e se destaca pelo seu perfil de segurança, com estudos que sugerem menor incidência de infecções quando comparado aos Anti TNFs.

Como funciona?

O Ustequinumabe inibe a ação de citocinas inflamatórias (IL-12 e IL-23), que são proteínas liberadas por células do sistema imunológico para ativar as vias responsáveis pela inflamação. Ao bloquear essas citocinas, o Ustequinumabe reduz a resposta inflamatória que ocorre na Doença de Crohn e na Retocolite Ulcerativa.

Benefícios do tratamento

  • Melhorar os sintomas da doença.
  • Reduzir a inflamação tecidual provocada pela doença, promovendo a cicatrização de feridas e úlceras.
  • Reduzir uso de corticoides.
  • Reduzir taxas de hospitalização.
  • Evitar procedimentos cirúrgicos.
  • Melhorar a qualidade de vida com o controle da doença.
  • Melhorar algumas manifestações extraintestinais da Retocolite Ulcerativa e da Doença de Crohn.

Tratamentos com Ustequinumabe

Doenças tratadas

Para quem é indicado?

Na Doença de Crohn moderada a grave, em pacientes que não responderam adequadamente ao tratamento convencional ou a outros medicamentos biológicos, ou que são intolerantes a essas terapias.

Na Retocolite Ulcerativa moderada a grave, em pacientes com resposta inadequada ou intolerantes à terapia convencional, ou outros medicamentos biológicos.

Essas indicações estão aprovadas pela ANVISA e presentes no Rol da ANS (cobertura obrigatória pelos planos de saúde), porém o seu uso no SUS só foi aprovado para Doença de Crohn moderada a grave, em pacientes que não responderam ou que não toleraram outras terapias.

Cuidados antes de iniciar o tratamento

Antes de iniciar o tratamento com Ustequinumabe, é essencial realizar:

  • Avaliação médica completa (história dos sintomas, doenças preexistentes, cirurgias; e exame físico).
  • Exames de sangue, incluindo hemograma, Proteína C Reativa (PCR-prova inflamatória), avaliação da função renal, avaliação das vitaminas (ferro, B12, ácido fólico, vitamina D) e avaliação hepática.
  • Exames de fezes.
  • Testes para investigação de tuberculose devido ao risco de ativação dessa doença durante o tratamento: RX de tórax e Prova Tuberculínica (PPD) ou IGRA (Interferon-Gamma Release Assays).
  • Testes para infecções virais: HIV, hepatite B, hepatite C.

Atualização do cartão de vacinas

  • Preferencialmente antes do início da imunossupressão;
  • Vacinas indicadas para o imunossuprimido: Influenza, Covid, pneumocócica, hepatites A e B, meningo B (privado), meningo C, HPV, Herpes zoster inativada (Shingrix) (privado), dT/dTpa.
  • As vacinas de vírus atenuado estão contraindicadas durante a imunossupressão: dengue, febre amarela, Herpes zoster atenuada (Zostavax), Varicela, tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba), BCG, poliomielite oral.

Administração do medicamento

Realizada em duas fases: a fase inicial é denominada fase de indução – fase mais intensa, com dose intravenosa.

A fase seguinte é denominada fase de manutenção – dose e periodicidade que serão mantidas por tempo prolongado enquanto controlarem a doença; nesta fase, a dose é realizada por via subcutânea.

Fase de indução: intravenoso

A dose inicial para Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa é administrada por via intravenosa, conforme o peso do paciente:

Periodicidade

  • Até 55kg: 260mg (2 frascos de 130mg – uma única dose).
  • Entre 56kg e 85kg: 390mg (3 frascos de 130mg – uma única dose).
  • Acima de 85kg: 520mg (4 frascos de 130mg – uma única dose).
  • Tempo de infusão: administrada por um período mínimo de 1 hora.
  • Periodicidade: dose intravenosa de indução como dose única.
  • Possíveis reações adversas da infusão: reações no local da infusão, como dor, vermelhidão, coceira e endurecimento na área da infusão; reações alérgicas podem ocorrer, porém, são raras – manchas vermelhas e coceira, erupções cutâneas, falta de ar ou aperto no peito; dor de cabeça; infecções respiratórias, como resfriados ou sinusites; fadiga; dores articulares ou musculares leves e temporárias.

Opinião quanto a via de administração: a administração do Ustequinumabe exige apenas a primeira dose intravenosa. As demais serão realizadas por via subcutânea. A administração intravenosa é realizada por um profissional de saúde, em um centro de infusão, permitindo o monitoramento médico durante a infusão e garantindo rápida intervenção caso aconteça alguma reação adversa.

No entanto, a via intravenosa requer o deslocamento do paciente para uma unidade de saúde especializada em infusão; exige um acesso venoso para a administração na medicação, o que pode ser difícil ou desconfortável para alguns pacientes; podem ocorrer complicações locais como flebite ou hematomas no local de inserção da agulha.

Fase de manutenção: subcutânea

  • Dose: 90mg.
  • Tempo de infusão: a injeção subcutânea é administrada rapidamente, em poucos minutos.
  • Periodicidade: a primeira dose da fase de manutenção é realizada 8 semanas após a dose de indução endovenosa. Após essa primeira dose subcutânea, a medicação pode ser mantida a cada 8 semanas ou a cada 12 semanas, conforme a indicação médica. O Ustequinumabe ainda pode ser otimizado para a dose de 90mg a cada 4 semanas em casos selecionados.

Opinião quanto a via de administração: a via subcutânea é mais conveniente, menor tempo para administração, menor frequência de administração que outros imunobiológicos (geralmente a cada 8 semanas), causa menos desconforto local em comparação com a infusão; menor risco de complicações locais, como flebite; não há preocupações quanto a necessidade de um acesso venoso, o que seria uma vantagem para pacientes com veias difíceis (ex idosos).

No entanto, a comodidade de autoadministração nem sempre é fácil para alguns pacientes e requer treinamento para aplicação. Além disso, outra possível desvantagem da realização subcutânea é que não é possível garantir o armazenamento adequado da medicação quando este é realizado no domicílio do paciente, o que pode comprometer a eficácia e segurança do tratamento.

Eficácia e segurança

Resultados esperados

O Ustequinumabe é eficaz e seguro na indução e manutenção da remissão clínica, laboratorial e endoscópica em pacientes com Retocolite Ulcerativa e Doença de Crohn. Em ensaios clínicos, muitos pacientes apresentaram controle de sintomas após 8 semanas de tratamento.

Efeitos colaterais

Os efeitos colaterais mais comuns são leves e incluem reações no local da injeção; infecções respiratórias do trato superior, como sinusites; dor de cabeça e fadiga.

É uma medicação mais segura comparada a outros imunobiológicos, com risco relativamente baixo de infecções graves, sem aumento significativo no risco de câncer em pacientes tratados com essa medicação.

Onde aplicar?

Importância do TDM (Monitoramento Terapêutico de Medicamentos)

O que é TDM?

TDM significa Monitoramento Terapêutico de Drogas (do inglês, Therapeutic Drug Monitoring), que consiste em medir os níveis de um determinado medicamento no sangue.

No caso do Ustequinumabe, o uso do TDM não foi estabelecido até o momento. Mais informações sobre TDM estão disponíveis na página sobre Infliximabe.

O que sabemos sobre os biossimilares do Ustequinumabe?

Com o tempo, à medida que alguns imunobiológicos perderam a patente, foram sendo criados os biossimilares. O produto de referência, aquele inicialmente criado e aprovado, é chamado de medicamento originador.

O biossimilar é um produto altamente semelhante ao produto de referência, que surgiu como uma alternativa eficaz e acessível em tratamentos de alto custo.

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Aviso:

As informações fornecidas neste texto são apenas para fins informativos e educacionais e não substituem a consulta médica. Sempre procure orientação médica para diagnóstico e tratamento adequados.

Referências

  1. Brazilian Organization for Crohn’s Disease and Colitis. Second Brazilian Consensus on the Management of Crohn’s disease in adults: a consensus of the Brazilian Organization for Crohn’s Disease and Colitis (GEDIIB). Arq Gastroenterol. 2022.

  2. Brazilian Organization for Crohn’s Disease and Colitis. Second Brazilian consensus on the management of ulcerative colitis in adults: a consensus of the Brazilian Organization for Crohn’s Disease and Colitis (GEDIIB). Arq Gastroenterol. 2022.

  3. Sandborn WJ, Gasink C, Gao LL, Blank MA, Johanns J, Guzzo C, et al. Ustekinumab induction and maintenance therapy in refractory Crohn’s disease. N Engl J Med. 2012;367(16):1519-28.
  4. Sands BE, Sandborn WJ, Panaccione R, O’Brien CD, Zhang H, Johanns J, et al. Ustekinumab as Induction and Maintenance Therapy for Ulcerative Colitis. N Engl J Med. 2019 Sep 26;381(13):1201-1214.
  5. Stelara [bula]. São Paulo: Janssen-Cilag Farmacêutica Ltda; 2024 [citado 2024 Ago 27]. Disponível em: https://www.janssen.com/brasil/sites/www_janssen_com_brazil/files/prod_files/live/stelara_iv_pub_vps.pdf
O que é Ustequinumabe?

É um medicamento biológico que atua no sistema imunológico, diminuindo a inflamação e os sintomas de doenças inflamatórias da pele e das articulações.

Para quais doenças o Ustequinumabe é indicado?

O Ustequinumabe é indicado para o tratamento de doenças como psoríase em placas, artrite psoriásica, colite ulcerativa e outras condições inflamatórias crônicas.

Como o Ustequinumabe funciona?

Ele age inibindo a produção de duas proteínas que desencadeiam a inflamação, a interleucina-12 (IL-12) e a interleucina-23 (IL-23).

Quais são os efeitos colaterais do Ustequinumabe?

Os efeitos colaterais mais comuns incluem infecções, reações alérgicas, dores de cabeça, dores musculares e reações no local da injeção. É importante informar o médico sobre qualquer efeito colateral.

Como o Ustequinumabe é administrado?

Apenas a primeira dose do tratamento é realizada por via intravenosa. As demais são realizadas por via subcutânea.

FAQ
Dúvidas frequentes
FAQ
Dúvidas frequentes
Quanto tempo leva para o Ustequinumabe fazer efeito?

O início do efeito do Ustequinumabe pode variar de pessoa para pessoa, mas geralmente os primeiros resultados são observados após algumas semanas.

O Ustequinumabe cura a doença?

O Ustequinumabe não cura a doença, mas ajuda a controlar os sintomas e a melhorar a qualidade de vida. O tratamento é geralmente de longo prazo.

Quem não pode usar o Ustequinumabe?

Pessoas com infecções ativas, alergia ao medicamento ou a outros componentes da fórmula e algumas doenças específicas não devem utilizar o Ustequinumabe.

Posso tomar outras medicações junto com o Ustequinumabe?

É importante informar o médico sobre todos os medicamentos que você está usando para evitar interações medicamentosas.

Quais cuidados devo ter durante o tratamento com Ustequinumabe?

Seguir as orientações do médico, informar sobre qualquer sintoma de infecção, manter as vacinas em dia (exceto as vacinas com vírus vivos) e não interromper o tratamento sem orientação médica.

Especialistas NuDii no manejo do medicamento

Ustequinumabe biológico doença inflamatória intestinal

Como o anticorpo monoclonal atua nas doenças inflamatórias

Os anticorpos monoclonais representam um avanço significativo na terapia das doenças inflamatórias intestinais. Essas proteínas de alto peso molecular são produzidas por tecnologia de biotecnologia e atuam de forma altamente seletiva em alvos moleculares específicos do processo inflamatório. Ao contrário dos imunossupressores convencionais, que modulam a resposta imunológica de forma ampla, os anticorpos monoclonais exercem sua ação em moléculas ou receptores precisos.

A inibição seletiva de citocinas específicas, como as interleucinas IL-12 e IL-23, interrompe cascatas inflamatórias que são fundamentais para a manutenção da inflamação crônica intestinal. Esse mecanismo de ação mais preciso está associado a um perfil de segurança diferenciado em relação às terapias imunossupressoras convencionais, com menor impacto na imunidade global do paciente.

Os avanços no desenvolvimento de anticorpos monoclonais têm permitido a criação de moléculas com maior afinidade de ligação ao alvo, maior meia-vida e capacidade de penetração nos tecidos inflamados. Essas características farmacológicas se traduzem em maior eficácia terapêutica e conveniência para o paciente, com posologias que permitem intervalos mais prolongados entre as administrações.

Critérios para indicação e elegibilidade do tratamento biológico

A indicação de tratamento biológico para doenças inflamatórias intestinais segue critérios clínicos bem estabelecidos pelas diretrizes nacionais e internacionais de gastroenterologia. Em geral, os biológicos são indicados para pacientes com doença moderada a grave, que não responderam adequadamente ao tratamento convencional com aminossalicilatos, corticoides ou imunossupressores.

A avaliação da elegibilidade inclui a confirmação diagnóstica com exames endoscópicos e histopatológicos, a avaliação da extensão e atividade da doença, a exclusão de contraindicações absolutas e relativas ao uso de biológicos, e a avaliação clínica global do paciente. Esse processo de avaliação garante que o tratamento biológico seja indicado para os pacientes que mais se beneficiarão dessa terapia.

A triagem pré-biológico inclui a pesquisa de infecções latentes, como tuberculose, hepatite B e hepatite C, além da avaliação do status vacinal e de possíveis tumores ocultos. Esses cuidados são essenciais para minimizar o risco de complicações infecciosas e oncológicas associadas ao uso de medicamentos com ação imunomoduladora.

Perguntas frequentes sobre o tratamento biológico para doenças intestinais

Com que frequência o medicamento biológico é administrado? A posologia varia conforme o medicamento, a indicação e a fase do tratamento. Em geral, a fase de indução envolve administrações mais frequentes, enquanto a fase de manutenção prevê intervalos mais prolongados. Alguns medicamentos permitem a autoadministração subcutânea em domicílio após treinamento adequado, enquanto outros são administrados exclusivamente por via intravenosa em centros especializados.

O medicamento biológico pode ser administrado em crianças com doença inflamatória intestinal? Alguns medicamentos biológicos têm indicação aprovada para faixas etárias pediátricas, com estudos clínicos demonstrando eficácia e segurança em crianças e adolescentes. A decisão deve ser tomada pelo gastroenterologista pediátrico, considerando as características individuais de cada paciente e as evidências disponíveis para a faixa etária em questão.

Existe necessidade de realizar exames periódicos durante o uso do biológico? Sim. O monitoramento laboratorial e clínico regular é parte essencial do acompanhamento de pacientes em uso de medicamentos biológicos. Hemograma, marcadores inflamatórios, função hepática e pesquisa de infecções são alguns dos exames realizados periodicamente para garantir a segurança e eficácia do tratamento ao longo do tempo.

Alimentação saudável e suporte nutricional nas doenças intestinais

A relação entre alimentação e doenças inflamatórias intestinais é complexa e individual. Embora não exista uma dieta universal indicada para todos os pacientes, evidências crescentes sugerem que padrões alimentares baseados em alimentos naturais, ricos em fibras e pobres em ultraprocessados, podem ter efeito protetor e contribuir para o controle da inflamação intestinal crônica a longo prazo.

Durante os surtos de atividade da doença, pode ser necessário adaptar temporariamente a alimentação para reduzir o impacto no intestino irritado. Alimentos de fácil digestão, preparações cozidas e evitar alimentos crus e fibrosos são estratégias que podem aliviar sintomas como cólicas, diarreia e distensão abdominal durante as fases de maior inflamação intestinal ativa.

A deficiência de micronutrientes é uma preocupação frequente em pacientes com doenças inflamatórias intestinais. Ferro, zinco, vitamina D, vitamina B12 e cálcio são nutrientes frequentemente monitorados, especialmente em pacientes com doença de Crohn com comprometimento do intestino delgado, onde a absorção de nutrientes pode estar significativamente comprometida pela inflamação e por eventuais ressecções cirúrgicas anteriores.

Pacientes com história de ressecções intestinais extensas podem requerer suporte nutricional especializado, incluindo suplementação enteral ou parenteral. O nutricionista especializado em doenças inflamatórias intestinais é um membro valioso da equipe multidisciplinar, capaz de elaborar planos alimentares individualizados que atendam às necessidades nutricionais específicas de cada paciente em diferentes fases da doença.

Sono e bem-estar durante o tratamento crônico

A qualidade do sono pode ser afetada pelas doenças inflamatórias intestinais, tanto pela atividade inflamatória da doença quanto pelo impacto psicológico do convívio com uma condição crônica. Distúrbios do sono, como insônia e apneia, podem agravar a fadiga e impactar negativamente a qualidade de vida e a resposta imunológica do paciente.

A higiene do sono, que inclui manter horários regulares para dormir e acordar, criar um ambiente adequado para o descanso e evitar o uso de telas antes de dormir, é uma estratégia simples que pode contribuir para a melhora da qualidade do sono. Em casos de distúrbios do sono mais graves, a avaliação por especialista e o tratamento adequado são essenciais para a recuperação do bem-estar geral.

O cuidado com a saúde mental é indissociável do tratamento das doenças inflamatórias intestinais. A relação bidirecional entre intestino e cérebro, conhecida como eixo intestino-cérebro, indica que o estado emocional pode influenciar a atividade da doença e que a inflamação intestinal pode impactar o humor e a cognição. Abordagens integrativas que considerem tanto os aspectos físicos quanto emocionais da condição são fundamentais para o sucesso terapêutico.

Práticas de mindfulness, meditação e técnicas de relaxamento têm demonstrado benefícios para pacientes com condições inflamatórias crônicas. Essas abordagens complementares podem reduzir o estresse, melhorar a qualidade do sono e contribuir para o bem-estar emocional, favorecendo a manutenção da remissão clínica e o engajamento ativo do paciente no cuidado com sua própria saúde.

A importância do diagnóstico precoce nas doenças inflamatórias intestinais

O diagnóstico precoce das doenças inflamatórias intestinais é fundamental para evitar danos irreversíveis ao tecido intestinal e prevenir complicações graves. Sintomas como diarreia crônica, dor abdominal persistente, sangramento nas fezes e perda de peso não explicada são sinais de alerta que devem ser avaliados pelo médico, especialmente quando presentes por mais de quatro semanas.

O caminho diagnóstico típico envolve exames laboratoriais iniciais, como hemograma, marcadores inflamatórios e pesquisa de parasitas nas fezes, seguidos de exame endoscópico com coleta de biópsias para análise histopatológica. A colonoscopia com ileoscopia é o exame padrão-ouro para o diagnóstico e avaliação da extensão das doenças inflamatórias intestinais.

Exames de imagem, como a enterorressonância magnética e a enterotomografia computadorizada, complementam a avaliação endoscópica, especialmente para avaliar segmentos do intestino delgado não acessíveis à colonoscopia convencional. Esses exames são particularmente importantes no diagnóstico e seguimento da doença de Crohn, que pode comprometer qualquer segmento do trato gastrointestinal.

O retardo diagnóstico, ainda frequente em nosso meio, está associado a maior risco de complicações, como estenoses, fístulas e a necessidade de cirurgia. Por isso, a conscientização de pacientes, médicos não especialistas e da sociedade em geral sobre os sinais de alerta das doenças inflamatórias intestinais é uma estratégia importante para reduzir o tempo entre o início dos sintomas e o diagnóstico definitivo.