Nutrição na doença inflamatória intestinal (DII)
Alimentação na Doença de Crohn e Colite Ulcerativa
O que comer na crise e na remissão (fase sem inflamação ativa), quais deficiências vigiar e quando a dieta entra no tratamento.
Dra. Christiani Chaves · Nutricionista
No consultório, meu trabalho é montar um cardápio que acompanhe a fase da doença e devolva variedade ao prato. Sempre faço isso em conversa com o médico que trata a inflamação.
Dra. Christiani Chaves
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- CRN 19475
- Nutrição pelo Centro Universitário São Camilo
- Nutrição Clínica Hospitalar pelo Hospital Universitário da USP
- Nutrição Clínica pelo Instituto de Metabolismo e Nutrição (IMeN)
- Nutrição Clínica Funcional pelo VP Centro de Nutrição Funcional
- Instituto Medicina em Foco, Rua Frei Caneca, 1380, Consolação, São Paulo
- Nutrição Clínica Funcional
- Nutrição Clínica Hospitalar

A alimentação na doença de Crohn e colite ulcerativa muda conforme a fase da doença, o trecho do intestino afetado e os remédios em uso. Comida não substitui o tratamento médico da doença inflamatória intestinal (DII), mas influencia sintomas, peso, disposição e a recuperação depois das crises.
Este guia é para quem já tem o diagnóstico e quer saber o que fazer no dia a dia. As orientações seguem diretrizes da ESPEN (Sociedade Europeia de Nutrição Clínica e Metabolismo), da AGA (Associação Americana de Gastroenterologia) e do Ministério da Saúde.
Por que a alimentação pesa tanto na DII?
A doença de Crohn pode atingir qualquer trecho do tubo digestivo, da boca ao ânus. As lesões aparecem em áreas salteadas (trechos doentes intercalados com trechos sadios). Já a retocolite ulcerativa fica no intestino grosso, de forma contínua, a partir do reto.
Doenças diferentes, cuidado parecido
Na nutrição, as duas seguem a mesma lógica: comer o suficiente, variar o prato e ajustar a textura conforme a fase. A diferença aparece nos detalhes, como a região inflamada e as cirurgias já feitas.
O risco da desnutrição
Diarreia, dor ao comer e falta de apetite reduzem o que entra e o que é absorvido. A diretriz da ESPEN sobre nutrição na DII recomenda rastrear o estado nutricional desde o diagnóstico e repetir a avaliação ao longo do acompanhamento. Desnutrição atrapalha a resposta ao tratamento e a recuperação de cirurgias.

Existe dieta anti-inflamatória para Crohn e colite?
A atualização de 2024 da AGA sobre dieta na DII sugere para a maioria das pessoas com DII um padrão semelhante à dieta mediterrânea. Na prática, isso significa base de vegetais, frutas, azeite, peixes e grãos, com pouco ultraprocessado, açúcar adicionado e sal.
Como isso fica no prato
Não entrego cardápio pronto. Parto do que a pessoa já come em casa e ajusto ao trecho do intestino afetado, às cirurgias e aos exames. Frutas e castanhas entram conforme a tolerância. Na remissão, a ESPEN considera que não há uma dieta específica obrigatória.
Cúrcuma, gengibre, probióticos e suplementos
Especiarias deixam a comida saborosa sem precisar de muito sal, mas nenhuma delas trata a inflamação por conta própria. A ESPEN não recomenda probióticos para tratar a doença de Crohn. Na retocolite leve a moderada, algumas cepas (tipos específicos de bactéria) podem ser consideradas pelo médico. Qualquer suplemento entra depois de conversar com a equipe, para combinar com o tratamento da doença de Crohn ou da retocolite.
O que comer durante a crise?
Com a doença ativa, costumo reduzir por um tempo cascas, sementes, folhas cruas e grãos muito fibrosos. Preparações cozidas, assadas ou em purê costumam ser mais bem toleradas. Uma revisão de 2024 no Frontline Gastroenterology discute como a dieta pode apoiar a indução (controle da crise) e a manutenção da remissão. Exemplos de refeições para essa fase estão no roteiro de alimentação durante a crise de colite.
Hidratação e refeições menores
Diarreia faz perder água e sais minerais. Beber líquidos ao longo do dia e dividir a comida em refeições menores ajuda quem sente cólica após comer. Sangue nas fezes, febre ou perda de peso pedem contato com o médico antes de qualquer ajuste no cardápio.
A restrição tem prazo
Dieta de crise é temporária. Manter as restrições depois que a inflamação acalma empobrece o cardápio e aumenta o risco de deficiências.
Quais alimentos costumam piorar os sintomas?
A orientação da AGA é reduzir ultraprocessados, açúcar adicionado e sal. Salgadinhos, embutidos, refrigerantes, sucos de caixinha e doces industrializados concentram esses itens, além de aditivos. São os primeiros que sugiro cortar ou espaçar.
Lactose, álcool, café e frituras
Leite e derivados só saem do cardápio quando há intolerância à lactose ou sintomas claros após o consumo. Álcool, café e frituras costumam entrar na lista de suspeitas, e a resposta muda de pessoa para pessoa. O diário alimentar ajuda a separar gatilho real de suspeita.
Quando o sintoma tem outra origem
Gases e cólicas com a doença controlada podem vir de um quadro funcional associado (sintoma sem inflamação ativa, como no intestino irritável). Antes de cortar alimentos, o médico costuma checar a calprotectina fecal (exame de fezes que mede inflamação no intestino). A diferença entre Crohn, colite e intestino irritável ajuda a entender esse cenário, e os sinais de alerta da colite ulcerativa mostram quando voltar ao médico.
Dieta low-FODMAP por tempo limitado
Com a inflamação controlada e sintomas funcionais persistentes, a AGA admite a dieta low-FODMAP (que reduz carboidratos fermentáveis de alguns feijões, frutas, laticínios e trigo). A restrição dura pouco e é seguida de reintrodução, para o cardápio não empobrecer.
Quando a fibra precisa ser restrita?
Na doença de Crohn com estenose, a ESPEN orienta dieta com textura modificada ou pobre em fibras, para diminuir o risco de obstrução. Quem convive com estenose intestinal na doença de Crohn mantém esse cuidado de forma contínua, combinado com a equipe médica.
Quem confirma a estenose
O estreitamento é confirmado pelo médico, com exames de imagem ou colonoscopia. Com esse resultado em mãos, defino quanto de fibra cabe no dia e em que preparo.
Sinais de obstrução
Cólica forte, barriga distendida, vômitos e parada de gases e fezes podem indicar obstrução, sobretudo em quem tem estenose. Esses sinais pedem atendimento médico no mesmo dia.
Fibra na remissão
Fora da crise e sem estenose, frutas, legumes e grãos voltam aos poucos. Feijão, lentilha e grão-de-bico costumam ser mais bem aceitos bem cozidos, peneirados ou batidos. Vou testando quantidade e preparo junto com cada paciente, sem pressa.
Quais deficiências nutricionais aparecem na DII?
A diretriz da ESPEN recomenda checar micronutrientes com regularidade em quem tem DII. A falta de ferro é frequente, por somar pouca absorção e perda de sangue nas fezes, e costuma estar por trás da anemia na doença inflamatória intestinal.
Quem teve o íleo inflamado ou operado
Segundo a ESPEN, doença ou retirada do íleo terminal (parte final do intestino delgado) pode reduzir a absorção de vitamina B12. A absorção de sais biliares (substâncias da bile que ajudam a digerir gordura) também pode cair. Nesses casos, a B12 é dosada com regularidade, e a reposição é definida pelo médico a partir dos exames.
Vitamina D e ossos
A ESPEN recomenda acompanhar cálcio e vitamina D em quem usa corticoide, porque o remédio e a pouca ingestão de cálcio pesam na saúde dos ossos. Ajusto o cálcio pela alimentação e aviso a equipe quando o exame mostra vitamina D baixa.
Músculo também conta
A perda de massa muscular (sarcopenia) pode aparecer mesmo em quem mantém o peso. A ESPEN orienta avaliar a composição corporal, e por isso incluo medidas de músculo e força na consulta.
Nutrição enteral e dietas especiais funcionam?
Na nutrição enteral exclusiva, a pessoa se alimenta só de fórmula líquida por um período. A AGA a reconhece como opção para induzir a remissão na doença de Crohn. O protocolo do Ministério da Saúde para doença de Crohn prevê dieta polimérica (fórmula com nutrientes inteiros) em situações específicas. Ela faz parte do tratamento da doença de Crohn e é sempre decidida pela equipe.
E na retocolite ulcerativa?
Aqui, o papel da dieta como tratamento é menos estabelecido. Um ensaio clínico randomizado de 2024 (estudo com grupos sorteados) testou uma dieta nova para reduzir a atividade da doença. O tema segue em estudo, e a base continua sendo o tratamento médico da retocolite.
Dieta de exclusão e cortes da internet
A CDED (dieta de exclusão da doença de Crohn) retira alimentos por fases e costuma ser combinada com fórmula. A ESPEN e a AGA a citam como opção em casos selecionados de Crohn, sempre com acompanhamento. Cortes amplos copiados da internet, como tirar glúten ou carboidrato sem indicação, não têm esse respaldo e aumentam o risco de desnutrição.
Como funciona o acompanhamento nutricional no NuDii?
No NuDii, o plano de alimentação na doença de Crohn e colite ulcerativa segue a fase da doença, os exames e a rotina de cada pessoa. O acompanhamento com nutricionista em DII inclui conversa com o médico do caso quando há troca de remédio, perda de peso ou suspeita de deficiência. O atendimento é presencial, na Rua Frei Caneca, 1380, em São Paulo, ou online.
Exames lidos em conjunto
Quando a queixa intestinal aumenta, comparo o diário alimentar com exames como a calprotectina fecal e a PCR (proteína C reativa, marcador de inflamação no sangue). Inflamação alta é assunto para o médico. Com exames normais, o ajuste costuma estar na comida ou num quadro funcional.
O que levar para a consulta
Traga exames recentes, a lista de remédios e suplementos, o relatório do médico e um diário alimentar de alguns dias. Anotar comida e sintomas no mesmo dia ajuda a encontrar padrões.
Quando há cirurgia intestinal marcada, peço para começar o acompanhamento antes da operação. A ESPEN recomenda tratar a desnutrição antes de cirurgias programadas sempre que possível. Nessas semanas, trabalho para recuperar peso e músculo, junto com a equipe que vai operar.
Dra. Christiani Chaves
Perguntas frequentes
Quem tem doença de Crohn pode comer feijão?
Na maioria das vezes, sim. Na remissão, feijão, lentilha e grão-de-bico costumam ser bem aceitos quando bem cozidos, peneirados ou batidos. Na crise ou em quem tem estenose intestinal, a quantidade e o preparo mudam, e a nutricionista ajusta isso caso a caso.
Leite e derivados fazem mal na colite ulcerativa?
Só para quem tem intolerância à lactose ou percebe sintomas claros após o consumo. Cortar laticínios sem motivo reduz a ingestão de cálcio, que já preocupa em quem usa corticoide. Na dúvida, o diário alimentar ajuda a confirmar se o leite é mesmo o gatilho.
Existe uma lista fixa de alimentos proibidos na DII?
Não. Os gatilhos variam conforme a pessoa, a fase da doença e o trecho do intestino afetado. As diretrizes pedem menos ultraprocessados, açúcar e sal, e o restante é ajustado com diário alimentar e acompanhamento nutricional.
O que comer em uma crise de retocolite?
Preparações cozidas, assadas ou em purê, com menos cascas, sementes e folhas cruas. Arroz, batata, frango, peixe e legumes cozidos costumam ser bem tolerados. Beba líquidos ao longo do dia e procure o médico se houver sangue, febre ou perda de peso.
Probióticos ajudam na doença de Crohn?
Não. A diretriz da ESPEN de 2023 não recomenda probióticos para tratar a doença de Crohn. Na colite ulcerativa leve a moderada, algumas cepas específicas podem ser consideradas pelo médico. O uso por conta própria não substitui o tratamento e deve ser conversado com a equipe.
Preciso tomar suplemento de vitamina?
Depende dos exames. Vitamina D, vitamina B12 e o mineral ferro costumam ser checados em quem tem DII. Quando há deficiência, o médico define a reposição, e a nutricionista ajusta a alimentação para apoiar a recuperação dos níveis.
Café e álcool estão liberados?
Depende da pessoa e da fase da doença. Café e álcool entram no diário alimentar como qualquer outro item suspeito, e o consumo é decidido caso a caso com a equipe. Na crise, converse com o médico antes de manter o consumo, principalmente se você usa remédios de forma contínua.
A dieta substitui o remédio?
Não. A alimentação ajuda a controlar sintomas, manter o peso e prevenir deficiências, e o controle da inflamação depende do tratamento médico. A exceção conhecida é a nutrição enteral exclusiva na doença de Crohn, que também é indicada e conduzida pela equipe.
Quando procurar uma nutricionista?
Logo após o diagnóstico, e sempre que houver perda de peso, crise prolongada, cirurgia intestinal ou exame com deficiência. A ESPEN recomenda avaliar o estado nutricional desde o início e repetir essa avaliação ao longo do acompanhamento da doença.
A consulta de nutrição pode ser online?
Sim. O NuDii oferece atendimento presencial na Rua Frei Caneca, 1380, em São Paulo, e também online. Para a consulta, tenha em mãos exames recentes, a lista de remédios e um diário alimentar de alguns dias.
Agende sua consulta de nutrição com Dra. Christiani Chaves
Um plano alimentar ajustado à fase da doença ajuda a comer com mais segurança na crise e a ampliar o cardápio na remissão.
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