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Certolizumabe

BIOLÓGICO ANTI-TNF · DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL

Certolizumabe na doença de Crohn: um biológico hoje pouco usado na DII

O certolizumabe pegol é um anti-TNF aprovado pelo FDA para doença de Crohn, mas com resultados inferiores e menos consistentes que os de outros biológicos — por isso caiu em desuso no tratamento das doenças inflamatórias intestinais. Entenda o porquê e quais são as opções atuais, com a equipe do NuDii em São Paulo.

⏱ 11 min de leitura Revisado por Dr. Rodrigo Barbosa · CRM-SP 167670 · RQE 78610
Resposta rápida

O certolizumabe pegol é um biológico anti-TNF aprovado pelo FDA (Estados Unidos) para a doença de Crohn moderada a grave. Na prática, porém, é hoje uma terapia praticamente abandonada na DII: seus estudos mostraram benefício mais modesto e menos consistente que o de outros anti-TNF — no estudo de indução PRECISE 1 a remissão na semana 6 foi de 32% contra 25% no placebo, sem diferença estatística — e a agência europeia (EMA) recusou sua aprovação para Crohn. Não consta no protocolo do SUS para DII e foi superado por opções mais eficazes (infliximabe, adalimumabe, vedolizumabe, ustequinumabe, anti-IL-23 e inibidores de JAK). Seu único nicho relevante hoje é a gravidez, pela transferência placentária muito reduzida. A indicação de qualquer biológico é sempre individual e cabe ao médico especialista.

Definição

O que é o certolizumabe?

O certolizumabe pegol (nome comercial Cimzia) é um medicamento biológico da classe dos inibidores do TNF-alfa — o fator de necrose tumoral alfa, uma proteína central no processo inflamatório das doenças inflamatórias intestinais. Bloqueando o TNF, o medicamento ajuda a reduzir a inflamação na doença de Crohn.

Sua característica mais distinta é a estrutura: diferente do infliximabe e do adalimumabe, que são anticorpos completos, o certolizumabe é um fragmento Fab’ peguilado — ou seja, não contém a região Fc do anticorpo. A peguilação (adição de polietilenoglicol) aumenta a meia-vida da molécula, e a ausência da porção Fc traz duas consequências práticas: menor passagem pela placenta e menor fixação de complemento. Essa peculiaridade explica o único nicho em que o medicamento ainda é lembrado na DII, como se vê adiante.

Certolizumabe pegol (Cimzia), biológico anti-TNF para doença de Crohn — NuDii
Certolizumabe pegol: anti-TNF de aplicação subcutânea, hoje pouco utilizado na doença de Crohn.

💡 Em resumo: o certolizumabe foi aprovado pelo FDA em 2008 para a doença de Crohn que não respondeu às terapias convencionais. É também usado em reumatologia (artrite reumatoide, artrite psoriásica, espondilite anquilosante). Mas, no campo das DII, seu papel se tornou marginal — não por ser inseguro, e sim por entregar resultados inferiores aos das alternativas disponíveis.

Posicionamento atual

Por que o certolizumabe caiu em desuso na doença de Crohn?

Esta é a pergunta mais importante da página — e a resposta é direta: o certolizumabe é, na prática clínica atual, um biológico praticamente abandonado no tratamento das doenças inflamatórias intestinais. Não por questões de segurança, mas porque suas evidências de eficácia na doença de Crohn foram mais fracas e menos consistentes do que as de outros anti-TNF, e porque o arsenal terapêutico evoluiu para opções melhores. Três fatos sustentam esse posicionamento.

1. Eficácia mais modesta nos estudos de indução

No principal estudo de indução em pacientes virgens de anti-TNF (PRECISE 1), a taxa de remissão clínica na semana 6 foi de 32% no grupo certolizumabe contra 25% no placebo — uma diferença que não atingiu significância estatística (p = 0,174). Em comparação, infliximabe e adalimumabe demonstraram benefício de indução mais robusto e reprodutível. Essa fragilidade de resultado marcou o medicamento desde o início e nunca foi revertida por estudos posteriores.

2. A agência europeia recusou a aprovação para Crohn

Em 2009, o comitê de medicamentos da agência europeia (CHMP/EMA) emitiu parecer recomendando autorização do certolizumabe apenas para artrite reumatoide — e recusou a aprovação para a doença de Crohn, por considerar que a relação benefício-risco não estava demonstrada para essa indicação. Ou seja: na Europa, o medicamento nunca foi liberado para tratar Crohn. Esse contraste com a aprovação do FDA é um sinal claro de que a evidência foi considerada insuficiente por reguladores criteriosos.

3. Ausência nos protocolos brasileiros e superação por classes melhores

No Brasil, o certolizumabe não integra o protocolo do SUS (PCDT) para doença de Crohn, que prioriza infliximabe, adalimumabe, vedolizumabe e ustequinumabe. Some-se a isso o surgimento de classes mais modernas — anti-IL-23 (risanquizumabe, guselcumabe, mirikizumabe) e inibidores de JAK (upadacitinibe, tofacitinibe) — e o resultado é que o certolizumabe deixou de ser uma escolha de rotina para DII. Hoje raramente é prescrito para esse fim na prática brasileira.

Critério Certolizumabe Infliximabe / Adalimumabe
Evidência de indução na Crohn Mais modesta e inconsistente (PRECISE 1 sem diferença significativa) Benefício robusto e reprodutível
Aprovação na Europa (EMA) para Crohn Recusada (aprovado só para artrite reumatoide) Aprovados para doença de Crohn
Inclusão no protocolo do SUS para DII Não consta Sim, são opções de primeira linha
Uso atual na DII no Brasil Raro / praticamente abandonado Amplamente utilizados

A tabela resume por que, fora de situações muito específicas, o certolizumabe deixou de figurar entre as escolhas para a doença de Crohn. A decisão sobre qual biológico utilizar é sempre individualizada e cabe ao médico especialista em DII.

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Exceção

Quando o certolizumabe ainda pode ser considerado

Dizer que o certolizumabe caiu em desuso na DII não significa que ele nunca tenha lugar. Há um cenário específico em que sua estrutura única passa a ser uma vantagem real: a gravidez.

Por não ter a região Fc do anticorpo, o certolizumabe pegol tem transferência placentária muito reduzida — ao contrário do infliximabe e do adalimumabe, que atravessam a placenta em quantidades significativas, sobretudo no terceiro trimestre. Estudos mostram níveis praticamente indetectáveis do medicamento no sangue do cordão umbilical e dos recém-nascidos de mães tratadas. Por isso, em gestantes com doença de Crohn que necessitam manter um anti-TNF, o certolizumabe pode ser considerado uma opção preferencial dentro da classe.

⚠️ Importante: esse benefício se aplica a uma situação clínica particular e deve ser avaliado caso a caso. A escolha de tratamento na gravidez envolve risco-benefício individual e exige acompanhamento conjunto do gastroenterologista especializado em DII e do obstetra. Nenhuma medicação deve ser iniciada, trocada ou suspensa por conta própria.

Administração

Como o certolizumabe é administrado

Quando indicado, o certolizumabe pegol é aplicado por injeção subcutânea — sob a pele —, geralmente no abdome ou na coxa. Uma vantagem prática é que o paciente pode aprender a se autoadministrar em casa, após treinamento adequado com o médico ou enfermeiro.

1

Indução

400 mg por via subcutânea nas semanas 0, 2 e 4.

2

Manutenção

400 mg a cada 4 semanas, ajustável conforme resposta e tolerância.

3

Antes de iniciar

Rastreamento de tuberculose latente (PPD ou IGRA), sorologias para hepatites B e C e HIV, hemograma e provas de função hepática e renal, além de atualização vacinal.

4

Contraindicação relevante

Pacientes com insuficiência cardíaca congestiva grave não devem usar inibidores de TNF, incluindo o certolizumabe.

Todo o esquema, incluindo doses e intervalos, é definido e ajustado exclusivamente pelo médico especialista, com base na avaliação clínica completa. Esta página é informativa e não substitui a consulta.

Eficácia e segurança

Eficácia e segurança do certolizumabe

Como todos os inibidores de TNF, o certolizumabe pode causar efeitos adversos que exigem monitoramento. De modo geral, seu perfil de segurança é semelhante ao da classe — a limitação que o afastou da DII é de eficácia, não de tolerabilidade.

  • Reações no local da injeção — dor, vermelhidão e inchaço, geralmente leves e transitórias.
  • Maior risco de infecções — o efeito mais relevante; inclui infecções bacterianas graves e reativação de tuberculose, daí a triagem prévia.
  • Infecções respiratórias e cefaleia — entre os eventos mais comuns relatados.
  • Reações alérgicas e alterações hematológicas — menos frequentes, exigem atenção.
  • Eventos desmielinizantes — raros, mas descritos com a classe dos anti-TNF.

O acompanhamento durante o uso inclui hemograma, provas de função hepática e PCR periódicos; em caso de perda de resposta, pode-se dosar níveis séricos do medicamento e pesquisar anticorpos. Qualquer sinal de infecção — febre alta, tosse persistente, cansaço extremo ou erupções cutâneas — deve ser comunicado ao médico imediatamente.

Quer entender a melhor opção de biológico para o seu caso?Agende uma avaliação com a equipe de DII do NuDii em São Paulo.

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Equipe NuDii

Especialistas em DII do NuDii

O NuDii reúne proctologistas e gastroenterologistas com experiência específica no diagnóstico e tratamento das doenças inflamatórias intestinais em São Paulo. A equipe multidisciplinar oferece cuidado contínuo, individualizado e baseado em evidências — incluindo a escolha racional do biológico mais adequado para cada paciente.

Dr. Rodrigo Barbosa — especialista em DII no NuDii

Dr. Rodrigo Barbosa

Gastrocirurgia, Cirurgia Bariátrica e ColoproctologiaCRM-SP 167670 · RQE 78610

Dr. Alexander Rolim — coloproctologia no NuDii

Dr. Alexander Rolim

Coloproctologia[CONFIRMAR CRM/RQE]

Dr. Carlos Obregon — cirurgia do aparelho digestivo no NuDii

Dr. Carlos Obregon

Cirurgia do Aparelho Digestivo e Coloproctologia[CONFIRMAR CRM/RQE]

Dr. Alexandre Ferrari — especialista em DII no NuDii

Dr. Alexandre Ferrari

Coloproctologia — especialista em DII[CONFIRMAR CRM/RQE]

Dra. Sabrina Figueiredo — gastroenterologia no NuDii

Dra. Sabrina Figueiredo

GastroenterologiaCRM-SP 203753 · RQE 99224

Dra. Laís Naziozeno — equipe multidisciplinar NuDii

Dra. Laís Naziozeno

Equipe multidisciplinar NuDii[CONFIRMAR CRM/RQE]

Opções atuais

Alternativas atuais no tratamento da doença de Crohn

Se o certolizumabe deixou de ser uma escolha de rotina, o que ocupou seu lugar? O tratamento da doença de Crohn conta hoje com um arsenal amplo de biológicos e pequenas moléculas com eficácia bem demonstrada. A escolha entre eles considera gravidade, extensão da doença, comorbidades, histórico de tratamentos, preferência de via de administração e cobertura — sempre em decisão compartilhada entre médico e paciente.

Biológicos para doença de Crohn — alternativas atuais ao certolizumabe no NuDii
O arsenal terapêutico da doença de Crohn evoluiu muito além dos primeiros anti-TNF.
Classe / medicamento Mecanismo Observação prática
Infliximabe (anti-TNF) Bloqueio do TNF-alfa Infusão endovenosa; eficácia robusta e amplo uso.
Adalimumabe (anti-TNF) Bloqueio do TNF-alfa Subcutâneo, autoaplicável; primeira linha consolidada.
Vedolizumabe (anti-integrina) Bloqueia a integrina α4β7 Ação seletiva no intestino, menor impacto imune sistêmico.
Ustequinumabe (anti-IL-12/23) Bloqueia IL-12 e IL-23 Boa eficácia, inclusive após falha de anti-TNF.
Risanquizumabe / guselcumabe (anti-IL-23) Bloqueio seletivo da subunidade p19 Geração mais nova, alta eficácia de indução e manutenção.
Upadacitinibe / tofacitinibe (inibidores de JAK) Inibição intracelular de vias JAK Via oral, ação rápida; exigem monitoramento cardiovascular e infeccioso.

A ampliação desse arsenal é uma conquista para os pacientes — e também o motivo pelo qual medicamentos de evidência mais frágil, como o certolizumabe na DII, deixaram de ser priorizados. O papel do gastroenterologista especializado em DII é avaliar as características individuais de cada paciente e recomendar a terapia mais adequada.

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns sobre o certolizumabe

O certolizumabe ainda é usado na doença de Crohn?

Muito pouco. Embora aprovado pelo FDA para Crohn, o certolizumabe é hoje uma terapia praticamente abandonada na DII por apresentar evidência de eficácia mais modesta e inconsistente que outros anti-TNF, por não ter sido aprovado para Crohn pela agência europeia e por ter sido superado por opções mais eficazes. Não consta no protocolo do SUS para DII.

Por que o certolizumabe caiu em desuso?

Por desfechos inferiores. No estudo de indução PRECISE 1, a remissão na semana 6 foi de 32% contra 25% no placebo, sem diferença estatística. Infliximabe e adalimumabe mostraram benefício mais robusto, e classes mais novas (vedolizumabe, ustequinumabe, anti-IL-23 e inibidores de JAK) ampliaram as opções. A limitação é de eficácia, não de segurança.

Existe alguma situação em que o certolizumabe ainda é preferido?

Sim: a gravidez. Por não ter a região Fc, o certolizumabe atravessa a placenta em quantidade muito reduzida, com níveis quase indetectáveis no recém-nascido. Em gestantes com Crohn que precisam manter um anti-TNF, pode ser uma opção preferencial dentro da classe. A decisão é sempre individual e conjunta com obstetra.

O certolizumabe é aprovado para Crohn no Brasil e na Europa?

Foi aprovado pelo FDA nos Estados Unidos em 2008 para Crohn. Na Europa, a agência (EMA/CHMP) recusou a aprovação para Crohn, liberando-o apenas para artrite reumatoide. No Brasil, não integra o protocolo do SUS (PCDT) para doença de Crohn.

Como o certolizumabe é administrado?

Por injeção subcutânea, geralmente no abdome ou na coxa. O esquema de indução é de 400 mg nas semanas 0, 2 e 4, seguido de 400 mg a cada 4 semanas na manutenção. O paciente pode aprender a se autoaplicar em casa após treinamento.

Quais são os principais efeitos colaterais?

Os mais comuns são reações no local da injeção, infecções respiratórias e cefaleia. O risco mais relevante é o aumento da suscetibilidade a infecções, incluindo reativação de tuberculose — por isso a triagem antes de iniciar. Reações alérgicas e eventos desmielinizantes são raros.

Quais exames são necessários antes de iniciar?

Rastreamento de tuberculose latente (PPD ou IGRA), sorologias para hepatites B e C e HIV, hemograma completo e provas de função hepática e renal. A vacinação deve estar atualizada. Pacientes com insuficiência cardíaca congestiva grave não devem usar o medicamento.

Quais são as alternativas atuais ao certolizumabe na Crohn?

Infliximabe e adalimumabe (anti-TNF), vedolizumabe (anti-integrina), ustequinumabe (anti-IL-12/23), os anti-IL-23 mais novos (risanquizumabe, guselcumabe) e os inibidores de JAK por via oral (upadacitinibe, tofacitinibe). A escolha é individualizada pelo especialista em DII.

Posso trocar ou suspender meu biológico por conta própria?

Não. Iniciar, manter, trocar ou suspender qualquer biológico é uma decisão médica baseada em avaliação clínica completa — sintomas, exames laboratoriais, endoscópicos e de imagem. Suspender por conta própria pode levar à perda de resposta e à reativação da doença. Converse sempre com seu especialista.

Autoridade médica

Atendimento especializado em DII no NuDii

O NuDii é o Núcleo de Doenças Inflamatórias Intestinais que reúne especialistas em proctologia e gastroenterologia no diagnóstico e acompanhamento da doença de Crohn e da retocolite ulcerativa. O atendimento acontece no Instituto Medicina em Foco, em São Paulo, com infraestrutura para colonoscopia, endoscopia e ultrassonografia intestinal, além de equipe multidisciplinar — nutricionista, psicólogo e fisioterapeuta — para um cuidado integral e baseado em evidências, incluindo a escolha racional da terapia biológica.

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Aviso: as informações desta página têm caráter informativo e educacional e não substituem a consulta médica. Procure sempre orientação profissional para diagnóstico e tratamento adequados. Não inicie, troque ou suspenda qualquer medicamento por conta própria.