MEDICAÇÃO · ANTI-INFLAMATÓRIO ESTEROIDAL
Corticoides na DII: anti-inflamatórios para induzir remissão
Entenda o que são os corticoides, como esses anti-inflamatórios esteroidais controlam a crise na doença de Crohn e na retocolite ulcerativa, como é a administração e os cuidados com os efeitos colaterais — com a equipe de DII do NuDii, em São Paulo.
Os corticoides são medicamentos que reduzem a inflamação ao modular o sistema imunológico. Na doença de Crohn e na retocolite ulcerativa, são usados para aliviar os sintomas durante surtos agudos e induzir a remissão. O tratamento é, em geral, de curto prazo, com redução gradual da dose. Eles não curam a doença e, pelos efeitos colaterais, exigem acompanhamento médico — a manutenção é feita por outros medicamentos.
- Classe: anti-inflamatórios esteroidais (glicocorticoides)
- Papel na DII: induzir a remissão e controlar a crise aguda
- Uso: curto prazo, com desmame gradual — nunca interromper de forma abrupta
- Mais comuns: prednisona, prednisolona e budesonida
O que são corticoides?
Os corticoides são medicamentos que imitam o cortisol, um hormônio natural produzido pelas glândulas suprarrenais. O cortisol é um dos principais reguladores do organismo, com papel central no controle da inflamação e em muitos outros processos importantes.
Ao reproduzir a ação desse hormônio, os corticoides ajudam a “reorganizar” uma resposta inflamatória que saiu de equilíbrio — situação típica das doenças inflamatórias intestinais, quando o sistema imunológico ataca o próprio intestino.

Como os corticoides funcionam?
Os corticoides agem de várias maneiras complementares:
Benefícios associados ao tratamento
Na doença de Crohn e na retocolite ulcerativa, o uso de corticoides costuma ser associado a benefícios como:
💡 Importante: os corticoides não curam a doença de Crohn nem a retocolite ulcerativa. São usados para controlar a doença e a crise; na maioria dos casos, por um período curto, sendo descontinuados de forma gradual.
Para quem o tratamento com corticoides é indicado?
Os corticoides são medicamentos potentes e úteis no tratamento da doença de Crohn e da retocolite ulcerativa, especialmente em casos moderados a graves. Eles reduzem a inflamação intestinal, aliviando os sintomas e favorecendo a recuperação. Em geral, são indicados nas seguintes situações:
Tipos de corticoides mais usados na DII
| Corticoide | Via | Característica |
|---|---|---|
| Prednisona | Oral | Corticoide oral mais comum no tratamento de Crohn e retocolite ulcerativa. |
| Prednisolona | Oral | Forma ativa relacionada à prednisona, usada conforme a avaliação médica. |
| Budesonida | Oral (ação local) | Menos potente que a prednisona e com menos efeitos colaterais; pode ajudar na manutenção da remissão na RCU. |
Cuidados antes de iniciar o tratamento
Por serem medicamentos potentes, os corticoides exigem alguns cuidados antes e durante o uso:

Como os corticoides são administrados?
Normalmente, os corticoides são administrados por via oral. A via endovenosa (infusão) costuma ser reservada para pacientes hospitalizados ou internados.
Em geral, a dose é tomada uma vez ao dia, pela manhã, porque isso acompanha o ciclo biológico natural do organismo. Ainda assim, é o médico quem define com você o melhor horário e esquema.
⚠️ Nunca pare de tomar de forma repentina. A interrupção abrupta pode causar crise de insuficiência adrenal. O médico reduz a dose gradualmente (desmame) para o corpo voltar a produzir cortisol com segurança.
Eficácia, segurança e efeitos colaterais
Apesar da efetividade em controlar os sintomas e induzir a remissão, o uso de corticoides exige cautela pelos efeitos colaterais.
Eficácia
Efeitos colaterais
| Tipo | Exemplos |
|---|---|
| Gerais / mais comuns | Ganho de peso e aumento do apetite, retenção de líquidos, insônia, alterações de humor (irritabilidade, ansiedade), aumento da pressão arterial e do açúcar no sangue. |
| Ósseos e musculares | Enfraquecimento dos ossos (osteoporose) e fraqueza muscular, especialmente nas pernas. |
| Pele e cicatrização | Afinamento da pele, estrias, acne e maior dificuldade de cicatrização. |
| Imunológicos | Maior risco de infecções pela imunossupressão. |
| Mais graves (uso prolongado) | Síndrome de Cushing, catarata, glaucoma, úlceras gástricas e, em casos raros, quadros psiquiátricos graves (psicose, mania). |
Contraindicações
Os corticoides geralmente não devem ser utilizados em casos de gravidez (avaliação individual), histórico de psicose, infecções não controladas e hipersensibilidade ao medicamento. O risco de efeitos colaterais aumenta com a dose, a forma de uso e o tempo de tratamento.
⚠️ Nunca tome corticoides por conta própria. Informe ao médico outros medicamentos em uso e relate qualquer efeito colateral — ele poderá ajustar a dose, mudar a forma de uso ou interromper o tratamento com segurança.
Saúde óssea e outros cuidados no uso de corticoides
O uso de anti-inflamatórios esteroidais na doença de Crohn e em outras DII deve ser sempre monitorado por médico especialista, com atenção aos efeitos sobre a saúde óssea e o metabolismo.
Prevenção de osteoporose
A perda de densidade óssea é um dos efeitos adversos mais relevantes do uso prolongado. A prevenção envolve suplementação de cálcio e vitamina D, atividade física com impacto dentro dos limites tolerados, densitometria óssea periódica e, quando indicado, uso de bifosfonatos. Uma dieta rica em cálcio — laticínios, vegetais verde-escuros e alimentos fortificados — também contribui.
Hiperglicemia e diabetes
Os esteroidais podem elevar a glicose no sangue, sobretudo em pessoas predispostas. O monitoramento da glicemia é importante, especialmente com histórico familiar de diabetes, sobrepeso ou síndrome metabólica. Pode ser necessário ajustar a dieta, aumentar a atividade física ou, em casos mais graves, usar antidiabéticos temporariamente. Com a redução e a suspensão do medicamento, a glicose costuma se normalizar.
Efeitos sobre o sistema imunológico
O efeito imunossupressor aumenta o risco de infecções. Recomenda-se evitar contato com pessoas com doenças infecciosas ativas, manter higiene das mãos e relatar ao médico qualquer sinal de infecção (febre, tosse, ardência ao urinar). A vacinação deve estar atualizada, de preferência antes do início do tratamento.
Suspensão gradual
Nunca interrompa o uso de forma abrupta sem orientação. A suspensão repentina pode levar à crise de insuficiência adrenal, pois as suprarrenais precisam de tempo para retomar a produção normal de cortisol. A redução deve seguir um cronograma progressivo definido pelo médico.
Alternativas ao tratamento esteroidal
O objetivo do tratamento moderno das DII é alcançar e manter a remissão sem o uso contínuo de esteroidais. Imunossupressores (azatioprina, metotrexato) e biológicos (anti-TNF, vedolizumabe, ustequinumabe, inibidores de IL-23) são usados como terapias de manutenção que permitem suspender os corticoides após a indução da remissão. O gastroenterologista define o plano mais adequado para cada paciente.
Indução e manutenção da remissão nas DII
A indução de remissão é a primeira fase do tratamento das doenças inflamatórias intestinais: o objetivo é controlar rapidamente a inflamação ativa e aliviar os sintomas. Alcançada a remissão, o tratamento passa para a fase de manutenção, que busca preservar esse estado pelo maior tempo possível.
Estratégias de indução
As principais estratégias incluem os anti-inflamatórios esteroidais, os biológicos (como os anti-TNF endovenosos) e, em casos selecionados, a nutrição enteral exclusiva — especialmente em crianças com doença de Crohn. A escolha depende da gravidade, da localização e extensão da doença e das características de cada paciente: em casos leves a moderados, medicamentos orais ou tópicos podem bastar; em casos graves, pode ser necessária hospitalização com tratamento endovenoso.
Manutenção da remissão
Manter a remissão é um desafio central, já que as DII são crônicas e com tendência a recidivas. As opções incluem imunossupressores convencionais e biológicos. A escolha depende de eficácia, segurança, histórico de tratamentos, características da doença e preferências do paciente. O monitoramento regular é fundamental para detectar precocemente sinais de recidiva.
Nutrição como adjuvante
A nutrição adequada é parte essencial do cuidado, não apenas como suporte, mas como adjuvante terapêutico. A nutrição enteral exclusiva — fórmula nutricional como única fonte de alimentação por 6 a 8 semanas — é eficaz na indução de remissão na doença de Crohn pediátrica, com a vantagem de não ter os efeitos adversos dos medicamentos. Em adultos, pode ser usada como terapia adjuvante. O nutricionista especializado em DII é fundamental nessa abordagem.
Especialistas em DII do NuDii
O NuDii reúne gastroenterologistas, proctologistas e especialistas de áreas relacionadas, com experiência no manejo de doença de Crohn e retocolite ulcerativa em São Paulo. A equipe multidisciplinar oferece cuidado contínuo, individualizado e baseado em evidências, com atendimento no Instituto Medicina em Foco.
Dr. Rodrigo Barbosa
Gastrocirurgia, Cirurgia Bariátrica e ColoproctologiaCRM-SP 167670 · RQE 78610
Dr. Alexander Rolim
Coloproctologia — DII e pesquisa clínicaCRM-SP 83270 · RQE 55787
Dr. Carlos Obregon
Cirurgia do Aparelho Digestivo e ColoproctologiaCRM-SP 177864 · RQE 107012
Dr. Alexandre Ferrari
Coloproctologia — DII e assoalho pélvicoCRM-SP 179945 · RQE 92807
Dra. Sabrina Figueiredo
Gastroenterologia — DIICRM-SP 203753 · RQE 99224
Dra. Laís Naziozeno
Gastroenterologia — SII e DIICRM-SP 204969 · RQE 115836
Dr. Plinio Fonseca
Cirurgia Geral, Videolaparoscópica e NutrologiaCRM-SP 173544 · RQE 138884
Dúvidas comuns sobre os corticoides
O que são corticoides e como agem na doença de Crohn e na retocolite ulcerativa?
São medicamentos que reduzem a inflamação ao modular o sistema imunológico. Na doença de Crohn e na retocolite ulcerativa, são usados para aliviar os sintomas durante surtos agudos, controlando a inflamação intestinal.
Quais são os principais corticoides utilizados no tratamento dessas condições?
Os mais comuns são a prednisona, a prednisolona e a budesonida. Cada um tem características específicas e é escolhido conforme a gravidade da inflamação e a localização da doença no intestino.
Quanto tempo dura o tratamento com corticoides?
Geralmente é de curto prazo, variando de algumas semanas a alguns meses, conforme a resposta do paciente e a gravidade do surto. O objetivo é reduzir a inflamação rapidamente e, em seguida, diminuir a dose de forma gradual para evitar efeitos colaterais.
Quais são os principais efeitos colaterais dos corticoides?
Especialmente com uso prolongado, podem causar ganho de peso, retenção de líquidos, pressão alta, aumento do açúcar no sangue, osteoporose e alterações de humor. O monitoramento médico é essencial para minimizar esses riscos.
O uso prolongado de corticoides é seguro?
O uso prolongado não é recomendado pelos riscos de efeitos colaterais graves. Por isso, são utilizados a curto prazo para controlar surtos agudos, enquanto tratamentos de manutenção (imunossupressores ou biológicos) são introduzidos.
Posso parar de tomar corticoides abruptamente?
Não. A interrupção abrupta pode levar a uma crise de insuficiência adrenal, condição grave. A redução da dose deve ser feita gradualmente, sob orientação médica, para permitir que o corpo se ajuste.
Corticoides podem ser usados durante a gravidez?
Sim, em alguns casos podem ser usados na gravidez para controlar surtos graves, mas sempre com cautela e supervisão médica rigorosa. A escolha do corticoide e a dose são avaliadas para minimizar riscos ao feto.
Os corticoides curam a doença de Crohn ou a retocolite ulcerativa?
Não. Eles controlam os sintomas durante surtos agudos, mas não previnem a recorrência. Tratamentos de manutenção, como imunossupressores ou terapias biológicas, são necessários para o controle a longo prazo.
Quais são as alternativas aos corticoides?
As alternativas incluem imunossupressores, como azatioprina e metotrexato, e terapias biológicas, como infliximabe e adalimumabe, usados para controlar a inflamação a longo prazo e prevenir recaídas.
Como posso minimizar os efeitos colaterais dos corticoides?
Seguindo rigorosamente as orientações médicas, incluindo a redução gradual da dose. Adotar uma dieta saudável, rica em cálcio e vitamina D, e manter atividade física ajudam a prevenir problemas como osteoporose e ganho de peso.
Atendimento especializado em DII no NuDii
O NuDii é o Núcleo de Doenças Inflamatórias Intestinais que reúne especialistas em gastroenterologia e proctologia no diagnóstico e acompanhamento da doença de Crohn e da retocolite ulcerativa, incluindo o manejo seguro de corticoides e a transição para terapias de manutenção. O atendimento acontece no Instituto Medicina em Foco, em São Paulo, com infraestrutura para colonoscopia, endoscopia e ultrassonografia intestinal, além de equipe multidisciplinar — nutrição, psicologia, reumatologia e dermatologia — para um cuidado integral e humanizado.
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Aviso: as informações desta página têm caráter informativo e educacional e não substituem a consulta médica. Os corticoides são medicamentos de uso sob prescrição e acompanhamento médico — nunca inicie, ajuste ou interrompa o tratamento por conta própria. Procure sempre orientação profissional para diagnóstico e tratamento adequados.

